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| Cena do filme |
Contra a Parede é um drama intenso, romântico e tragicômico, às vezes angustiante, sobre diferenças culturais e o poder do amor.
O quarto longa de Fatih Akin, diretor e autor do roteiro do filme, gira em torno de turcos radicados na Alemanha. Mas seu trabalho atinge uma universalidade que o torna facilmente compreensível por públicos de qualquer lugar do mundo.
Poderiam ser argelinos na França ou chineses nos Estados Unidos - a história seria a mesma. Contra a Parede recebeu o Urso de Ouro do Festival de Berlim no ano passado e foi destaque nos Festivais de Cinema do Rio de Janeiro e São Paulo.
Akin arrancou atuações contundentes de seu elenco inteiro, especialmente os protagonistas, o veterano Birol Unel e a novata Sibel Kekilli.
Eles representam turcos totalmente ocidentalizados que vivem em Hamburgo, mas não conseguem enfrentar a divisão Oriente/Ocidente que existe em suas almas.
Cahit (Unel) é um alcoólatra anti-social, alguém que procura, sem sucesso, afogar a dor deixada pela morte de sua mulher.
Sibel (Sibel Kekilli) é uma alma livre, uma garota de 20 anos que quer desesperadamente libertar-se de sua rígida família muçulmana, que inclui um irmão superprotetor. Eles se conhecem num hospital psiquiátrico, depois de cada um ter tentado o suicídio.
Sibel pede a Cahit que se case com ela, numa união de conveniência, apenas para que ela possa deixar a casa de sua família. Ele acaba concordando.
Durante algum tempo, tudo transcorre sem problemas: ela mantém a casa em ordem e cozinha, alimentando Cahit melhor do que ele estava acostumado. Ele se embebeda todas as noites, geralmente terminando desmaiado, enquanto ela vai para a cama com quantos homens quiser.
Humor sombrio
O problema é que, pouco a pouco, eles acabam se apaixonando. Um dia, num acesso de raiva e ciúmes, Cahit mata um dos amantes de Sibel. Ele acaba na cadeia, enquanto ela, apesar de prometer esperá-lo, foge com sua família para Istambul. Ali, ela afunda numa orgia de autodestruição.
Durante algum tempo o filme transcorre em clima de comédia. Mas, na medida em que vai pouco a pouco introduzindo elementos trágicos, Akin vai aprofundando a compreensão que a platéia tem dos imigrantes turcos de segunda geração e permitindo que seus personagens, ambos hedonistas declarados, expressem sua individualidade sem preocupar-se com convenções de gênero.
A previsibilidade vai para o espaço quando Cahit e Sibel são obrigados a encarar seus lados sombrios e encontrar meios de fazer as pazes com eles próprios.
Contra a Parede é um filme profundamente convincente por causa de sua natureza autodestrutiva dos dois personagens principais. Eles lutam tanto por cada instante de felicidade que conseguem viver - mas a cultura e as circunstâncias estão contra eles.
Tudo isso pode dar a impressão de que se trata de um filme totalmente deprimente. Na realidade, porém, partes dele são muito engraçadas.
Quando Cahit mostra a Sibel que a maneira como ela cortou os pulsos não bastaria para ela morrer, o humor é sombrio. Mas há outras cenas de humor realmente divertido, como o encontro de Cahit com um taxista em Istambul, quando eles descobrem que ambos são "alemães".
Redação Terra