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| Cena de O Casamento de Romeu e Julieta |
O Casamento de Romeu e Julieta entra em campo com 220 cópias em todo o país - o primeiro lançamento deste porte em 2005 - e duas grandes responsabilidades.
Assista ao trailer
Uma, reverter a relativa má vontade do público brasileiro com filmes que tenham algo a ver com futebol, como os recentes Pelé Eterno e Garrincha ¿ Estrela Solitária, ambos com resultados aquém do esperado.
A segunda e mais importante é obter uma audiência nas salas, invertendo a tendência de queda da freqüência nas salas de cinema neste começo de 2005.
Segundo a publicação Filme B, ligada a sindicatos de exibidores e distribuidores do país, os dois primeiros meses do ano registraram uma queda de 22% no público e 16 por cento na renda nas salas. Para os filmes nacionais, a queda foi ainda pior: menos 53 por cento em relação ao mesmo período de 2004.
O Casamento de Romeu e Julieta não é um filme sobre futebol, como faz questão de frisar e com razão o diretor Bruno Barreto.
Mas a rivalidade histórica entre Corinthians e Palmeiras dá o tempero desta história sobre paixão, que pede a benção de Shakespeare para os nomes dos protagonistas e à comédia italiana mais descabelada para compor o ritmo.
A família de origem italiana é encabeçada por um advogado paulistano com sotaque do Bixiga, Alfredo Baragatti (Luiz Gustavo). Ele tem uma única filha, Julieta (Luana Piovani), palmeirense desde criancinha, como o pai, e até jogadora no time feminino do clube.
Mas ela se apaixona justamente pelo oftamologista Romeu (Marco Ricca), viúvo que pertence a um fervoroso clã corintiano, integrado pela avó Nenzica (Berta Zemel) e o filho, Zilinho (Leonardo Miggiorin).
A origem do roteiro está no livro Palmeiras, Um Caso de Amor, de Mário Prata, autor que, como quase todo mundo no filme, trabalha com lealdade trocada. Ou seja, Prata nem palmeirense é, e sim são-paulino, mesmo caso de Luiz Gustavo e Luana Piovani. Marco Ricca, na vida real, é palmeirense.
Como se trata de uma comédia que não pretende levar a ferro e fogo a tragédia dos amantes de Verona, não há que se esperar nenhuma cena de sangue.
O molho ítalo-paulistano foi salpicado no argumento pela bem-sucedida dupla Jandira Martini e Marcos Caruso, autores de retumbantes sucessos teatrais em São Paulo, como Porca Miséria, que ficou seis anos em cartaz na cidade.
A espinha dorsal é o conflito de Romeu, que finge ser palmeirense diante do quase-sogro, para ter tempo de conquistá-lo.
A farsa leva-o a vestir uma camisa do Palmeiras, com todos os dilemas imagináveis, inclusive a possibilidade de ser desmascarado a qualquer momento.
A história procura extrair o máximo de várias situações saia-justa em que se mete o oculista ¿ desafiado por Baragatti a tornar-se sócio de seu time e até de participar de uma excursão do Palmeiras ao Japão, no avião lotado pelos torcedores alviverdes.
Comédia descomplicada, O Casamento de Romeu e Julieta nunca desliga os amantes do contexto de suas famílias e é aí que espera que o público se identifique, especialmente com os histriônicos Luiz Gustavo e Berta Zemel, respectivamente o pai da noiva e a avó do noivo.
Outra aposta do filme é na beleza de Luana Piovani, inversamente proporcional ao seu talento como atriz, ainda muito tímido.
Bem ao contrário, o experiente Marco Ricca sai-se bem num terreno que não freqüenta muito, o das comédias. Mais conhecido pelos trabalhos dramáticos, como O Invasor, Ricca teve uma experiência cômica em 2003, com Cristina Quer Casar, ao lado de Denise Fraga ¿ um filme modesto mas muito mal lançado, que merecia ter tido melhor sorte na bilheteria.
O problema em O Casamento de Romeu e Julieta é que Ricca não conta aqui com uma parceira tão talentosa quanto Denise Fraga e a química do par romântico com Luana deixa a desejar.
Reuters