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| Cena de O Clã das Adagas Voadoras |
Agora que ele já se sente à vontade com o gênero dos filmes de artes marciais, depois de lançar seu primeiro trabalho do tipo, Herói, o mestre chinês Zhang Yimou criou um longa-metragem belíssimo em O Clã das Adagas Voadoras.
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As sequências de ação não perdem em nada para as de O Tigre e o Dragão, de Ang Lee. Zhang, além disso, utilizou o gênero para relatar uma história comovente sobre dois amantes que se vêem envoltos por forças que ameaçam separá-los.
Filmando com um elenco internacional, na China e na Ucrânia, o diretor faz a ação se desenrolar entre paisagens tão belas que mais lembram pinturas.
A história é ambientada no ano 859, na fase final da já corrupta Dinastia Tang, e gira em torno de uma aliança revolucionária conhecida como Clã das Adagas Voadoras, sobre a qual não se sabe muito. Seu líder foi assassinado, mas seu lugar foi tomado por um líder novo e misterioso.
Dois agentes de polícia locais, Leo e Jin, recebem a incumbência de capturar esse novo líder no prazo de dez dias ¿ uma tarefa virtualmente impossível.
O capitão Leo (o astro de Hong Kong Andy Lau) desconfia que Mei (Zhang Ziyi, de O Tigre e o Dragão), uma nova e linda dançarina cega do Pavilhão das Peônias, seja na realidade a filha do líder morto, que ela estaria querendo vingar.
O capitão Jin (Takeshi Kaneshiro) vai ao bordel, onde, embriagado, flerta com Mei, até que o casal é preso por Leo, numa ação armada entre os dois policias com antecedência.
Quando Mei se nega a revelar o que sabe, mesmo sob ameaça de tortura, Leo sugere que Jin a resgate, fazendo-se passar por um guerreiro solitário que se autodenomina Vento.
Os dois fogem, e o plano parece estar funcionando quando, após duas batalhas espetaculares entre o casal e as tropas que os perseguem, Mei acredita na identidade falsa de Jin.
Os dois partem para o norte, presume-se que para o quartel-general do Clã das Adagas Voadoras. Mas ninguém é quem parece ser, e os perigos espreitam por toda parte.
O que ninguém previa era que Mei e Jin fossem se apaixonar, e isso leva todos os planos a cair por terra. Quando Jin se vê obrigado a lutar e matar seus colegas soldados para valer, e a Mei é pedido que ela mate Jin, a divisão de lealdades atinge o auge.
Batalha no Bambuzal
Em uma homenagem ao mestre dos filmes de artes marciais, King Hu, cujo épico A Touch of Zen recebeu um prêmio técnico em Cannes em 1969, o diretor Zhang respeita todas as convenções do gênero, chamado "wuxia", chegando inclusive a criar uma cena de batalha num bambuzal.
Como o título promete, facas e adagas voam pelo ar com força e beleza. Usando a tecnologia cinematográfica mais moderna e os melhores técnicos em acrobacias do cinema chinês e de Hong Kong, Zhang Yimou leva pessoas e objetos a desafiar a gravidade de maneiras com as quais King Hu só teria podido sonhar.
O instigante Takeshi Kaneshiro e a bela Zhang Ziyi transmitem de maneira convincente a vulnerabilidade de um casal que combate suas emoções interiores para não se apaixonar.
Para Mei, o conflito é agravado pelo fato de que, sem que Jin o saiba, ela já tem um amante que a segue e protege, um homem que não hesitará diante de nada para mantê-la viva para ele, e apenas para ele.
A maneira como o diretor de fotografia Zhao Xiaoding mostra as locações rurais é magia em estado puro. A música de Shigeru Umebayashi, chinesa com modulações ocidentais, se encaixa à perfeição no clima épico do filme.
Os figurinos de Emi Wada combinam com a paisagem, e o editor Cheng Long confere um ritmo emocionante às intrincadas coreografias de luta criadas pelo diretor de ação Tony Ching Siu-Tung.
Reuters