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| Cena do filme |
Star Wars: Episódio III - A Vingança do Sith, o episódio final do épico cinematográfico criado por George Lucas encerra a série de seis partes com tanta ousadia e bravura que sentimos vontade de gritar "rebobine!". Sim, rebobinar para repassarmos mais de 13 horas de coragem, traição, mundos novos, seres esdrúxulos e fragilidade humana.
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Confira especial sobre o filme
Os primeiros dois episódios da segunda trilogia de Lucas (A Ameaça Fantasma, de 1999, e Ataque dos Clones, de 2002) levaram muitos fãs da trilogia original a indagar-se se essa parte anterior da história valia a pena ser vista. A resposta é "sim", sem dúvida alguma.
É verdade que foram necessárias muitas exposições pesadas, cenas representadas com rigidez e criaturas pouco mágicas para chegarmos a A Vingança dos Sith. Mas Lucas e companhia desta vez reservam grandes prazeres a seus fãs.
É desnecessário dizer que a bilheteria internacional do filme chegará às centenas de milhões de dólares. A verdadeira pergunta é quanto dinheiro a série inteira vai acabar arrecadando - agora pronta para ser embalada e reembalada em todos os tipos de formatos e mídia. Digamos apenas que será muito dinheiro.
O que aparentemente seria o maior obstáculo para o sucesso de "Episódio 3" acaba se revelando seu ponto mais forte. Mesmo os cinéfilos apenas casuais sabem o que aguarda os personagens, que vão terminar no ponto em que o Guerra nas Estrelas original - agora rebatizado de Episódio 4 - A Nova Esperança - deu início à saga toda, quase 30 anos atrás.
Sabemos como o cavaleiro jedi Anakin Skywalker vai se voltar ao lado escuro da Força, como seus filhos gêmeos serão separados ao nascer e como seu ex-mestre Obi-Wan Kenobi e o pequeno mestre jedi Yoda se transformarão em seus inimigos mortais. Mesmo assim, é realmente emocionante ver esses destinos se desenrolando de maneira tragicamente inevitável, cada peça caindo em seu devido lugar.
O filme começa em grande estilo. Os cavaleiros Anakin (Hayden Christensen) e Obi-Wan (Ewan McGregor) chegam em jatos e se chocam com uma armada espacial de Sith, combatendo várias forças de ataque com bravura e habilidade. Na nave de batalha principal, o conde Dooku (Christopher Lee) e seu aliado general Grievous - um dos muitos personagens computadorizados, com esqueleto metálico e rosto de coiote - aprisionaram o chanceler da República, Palpatine (Ian McDiarmid).
A ação é ininterrupta por mais de 20 minutos. Os dois cavaleiros jedis garantem a parte heróica, desafiando a gravidade, e o robô R2D2 (Kenny Baker) cria ação cômica brilhante. Durante todo o filme, aliás, George Lucas, roteirista e diretor, faz um trabalho muito melhor do que fez nos filmes anteriores de entremear o registro cômico com o dramático e até mesmo trágico.
A maneira como o angustiado Anakin é atraído para o lado escuro e a transformação do inteligente Palpatine no ditador do Império Galáctico se dão de maneira inteligente e persuasiva.
O filme começa com o já tradicional título que nos informa que a guerra galáctica começou, que há heróis de ambos os lados, e que o mal está presente por toda parte. Compreensivelmente, Anakin não sabe em quem confiar.
Ele leva uma vida dupla, tendo se casado em segredo com a bela senadora Padme Amidala. A gravidez dela traz o casamento secreto à tona e o faz perder sua condição de cavaleiro. Ao mesmo tempo, Palpatine, depois de resgatado, se abre com Anakin e semeia em sua cabeça dúvidas quanto ao conselho dos jedis. E o chefe do conselho, Mace Windu (Samuel L. Jackson), deixa transparecer que perdeu a confiança em Anakin.
Palpatine faz com que Anakin seja indicado para o conselho, mas Anakin não é autorizado a assumir o título de mestre. O que é ainda mais preocupante é que cada lado - Palpatine e Obi-Wan - procura Anakin e pede que ele espione o outro lado.
Pouco depois, Anakin tem sonhos que indicam que Padme vai morrer ao dar à luz. Palpatine indica ao marido aflito que, para salvar sua mulher, ele terá que explorar a Força mais profundamente.
A segunda trilogia ainda sofre os efeitos de um trabalho fraco dos atores e dos diálogos fracos. A dimensão trágica do dilema de Anakin mal consegue resistir a falas de Padme como "você é uma boa pessoa. Não faça isso". Muitas cenas de diálogo, apesar de curtas, parecem desajeitadas e pouco naturais. No entanto, diante da grandeza épica da ação e do propósito do filme todo, esses não passam de pequenos detalhes.
Já totalmente em casa com o cinema digital, Lucas mostra que é capaz de abrir uma trilha pioneira como ninguém. Filmando em locais tão diferentes quanto Austrália, Grã-Bretanha e ainda China, Tailândia, Suíça, Itália e Tunísia, Lucas mergulha o espectador em batalhas campais em cavernas escuras e naves espaciais gigantes, ou então num duelo de espadas de luz conduzido sobre um rio de lava incandescente.
Combinando estéticas de ação coreográfica americanas, chinesas e sobrenaturais, George Lucas redefiniu o cinema de fantasia com Star Wars e ensinou uma geração de cineastas a não aceitar limitações.
A censura, que era de 12 anos na estréia do filme, foi reduzida para 10 na semana seguinte.
Reuters