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| Pôster do filme |
Para quem odiou o best-seller O Código Da Vinci, de Dan Brown, a ansiosamente aguardada e comentadíssima versão cinematográfica, que estréia nesta sexta-feira, expõe à perfeição as falhas e os pesadelos de lógica da história escrita.
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Fotos ampliadas do filme!
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Para quem adorou o livro, o filme intensifica a fusão criada por Dan Brown de ação, fatos históricos e dados totalmente fictícios. Em outras palavras, para quem for assistir ao Código no cinema, o que você verá depende do que você acredita. Mais ou menos como acontece com a própria religião.
Visto apenas como filme, e deixando de lado a onda atual de polêmica (coisa que dinheiro nenhum teria sido capaz de comprar para o estúdio), o filme dirigido por Ron Howard traz Tom Hanks em uma de suas atuações mais distantes, até inexpressivas, em um papel que, de fato, pede todas as coisas erradas do protagonista de um thriller, e uma atuação apenas um pouco mais animada da atriz francesa Audrey Tautou.
Os valores de produção são hollywoodianos, com a câmera montada em guindastes conduzindo o espectador para pontos de vista elevados e divinos, mostrando locais famosos e interiores deliciosamente sinistros, elementos que intensificam a tensão nos momentos em que o filme ameaça converter-se em tratado de história.
O filme só pega fogo de fato após uma hora, quando Ian McKellen entra em cena no papel do personagem sir Leigh Teibing, que lembra uma esfinge. McKellen é o único ator que se diverte em seu papel e que representa um personagem, mais do que uma peça em um quebra-cabeças complexo.
O Código Da Vinci é tão repleto de diálogos que tecem reflexões sobre idéias mitológicas e históricas pouco conhecidas, e as cenas vão se tornando tão paradas, que nem sequer a movimentação ágil da câmera é capaz de disfarçar a inércia dramática generalizada.
Para os espectadores que porventura tenham passado seus últimos anos de férias em Marte, será preciso explicar que O Código Da Vinci é o segundo thriller do escritor Dan Brown a ter como protagonista o professor de iconografia e arte religiosa Robert Langdon (Tom Hanks).
Os livros procuram injetar bombas de suspense contemporâneo em disputas históricas empoeiradas. Em Código, o assassinato de um curador respeitado no Museu do Louvre, onde Langdon se encontra por acaso, mergulha o professor em uma corrida contra o tempo para localizar nada mais, nada menos do que o Santo Graal.
Sua companheira nessa busca é a criptologista da polícia Sophie Neveu (Tautou), e seu aparente adversário implacável é o capitão da polícia Bezu Fache (Jean Reno, cujo talento é desperdiçado no papel), que, sem qualquer motivo plausível, acha que Langdon é o assassino do curador.
Mas há outros vilões potenciais: o bispo Aringarosa (Alfred Molina), da ultraconservadora seita católica Opus Dei, e o monge assassino e albino Silas (Paul Bettany).
A trama é movida não pelos personagens, mas pela busca de soluções para os enigmas, decifração de códigos, interpretação de referências ocultas em obras de arte e uma manifestação espantosa de conhecimento histórico.
São elementos que funcionam maravilhosamente no livro, mas que freiam a ação na tela grande. O personagem de Tom Hanks é contemplativo demais para ser herói de um filme de ação.
Akiva Goldsman, que assina a adaptação do roteiro a partir do livro, injetou ânimo novo no terceiro ato escrito por Brown. Ele chegou a criar algo melhor do que o livro ¿ pelo menos para quem acredita na polêmica histórica segundo a qual Jesus teria deixado uma linhagem de descendentes na família real francesa.
Mas, para quem não se deixa convencer por esse argumento, a história se torna ainda mais forçada e corrupta.
Um acréscimo cinematográfico de valor dúbio feito à história são as cenas de flashback que mostram imagens bíblicas da antiguidade e cenas medievais na Terra Santa e na Europa, que ilustram as contínuas aulas de história religiosa oferecidas pelo professor Langdon.
A impressão que se tem é que alguém fez uma brincadeira de mau gosto, misturando ao filme cenas de Cruzada, do ano passado.
Ao final, Código Da Vinci não chega a proporcionar ao espectador um prazer marcado por culpa: o filme tem culpa demais e prazer de menos.
Reuters