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| Cena do filme |
Marcas da Violência, de David Cronenberg, é um filme inteligente que aborda questões significativas sobre verdade, redenção e perdão.
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Um dos trabalhos mais diretos do cineasta canadense, o longa-metragem deverá agradar o grande público, que em geral prefere os filmes de ação a ter personagens com profundidade, diversas mudanças no enredo e uma conclusão satisfatória.
O roteiro propõe a seguinte questão: se você fosse um homem decente, com uma mulher adorável e dois filhos, tocando um restaurante numa cidadezinha, e dois mal-encarados aparecessem e o chamassem por um nome diferente?
Tom Stall (Viggo Mortensen) e sua mulher advogada, Edie (Maria Bello), criam felizes da vida duas agradáveis crianças em Millbrook, Indiana, quando o mundo deles é virado de ponta cabeça por um ato de extrema violência.
A surpresa vem pelo fato de que é o pacífico Tom quem comete a violência. Quando os dois bandidos preparam-se para matar uma garçonete do restaurante, Tom age como se fosse um assassino por natureza, matando os agressores com eficiência impiedosa.
Imediatamente, ele é saudado como herói americano e se torna assunto de manchetes de jornais de circulação nacional e de programas de televisão. Quando o furor parece estar diminuindo, outros três homens mal-encarados vestindo jaquetas pretas e óculos escuros entram no restaurante de Tom.
O líder deles tem uma cicatriz horrível que vai do olho esquerdo à bochecha. O xerife local mais tarde revela que o homem é Carl Fogarty (Ed Harris), um conhecido mafioso da Filadélfia saído da prisão após 15 anos.
Fogarty diz que o verdadeiro nome de Tom é "Joey" e ele apenas sorri quando Tom nega. Tom está em perigo e a ameaça cresce cada vez mais, a família dele precisa lidar com a suspeita e o medo até que uma sangrenta resolução põe um desfecho às coisas.
Cronenberg está em ótima forma para incomodar em Marcas da Violência. Embora a narrativa seja direta, o roteirista Josh Olson While recheia a história com pistas falsas e inclui humor inteligente à temática violenta.
A história caminha tão rápido que é fácil ignorar o fato de que a mídia, que primeiro cobre em detalhes o dia-a-dia de Tom, não aparece nunca mais.
O filme mergulha na natureza da violência e faz a desconfortável sugestão de que ela pode ser uma boa coisa. Cronenberg torna o público cúmplice ao usar humor em algumas cenas para conquistar simpatia.
A violência no filme é rápida, cortante e repulsiva, como quase sempre é, quando não estilizada pelos filmes. Mortensen está convincente no papel de cara bonzinho, mas que de algum modo mantém a truculência a quando forçado a retaliar de modo surpreendente.
Bello, a ex-estrela de Plantão Médico, lida de maneira soberba com os vários níveis de emoção da sua personagem enquanto precisa conhecer de novo o homem com quem se casou e luta para proteger seus filhos. Ashton Holmes faz um bom trabalho como o filho e Heidi Hayes mostra-se esperta como a jovem filha.
Harris faz o mal-encarado parecer assustador de verdade, assim como William Hurt, que aparece como um bandido rico que não consegue perceber que está ligado ao crime organizado pela sua falta de inteligência, e não pelo erro dos outros. Eles criam um par de bandidos memoráveis num filme que faz do mocinho às vezes uma personagem muita ambígua.
Reuters