| Divulgação |
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| Cena do filme |
Uma cidade produtora de aço no Canadá, com suas chaminés e fornos industriais, é o fim da linha para um astro decadente do rock dos anos 1980 no início de Clean, filme dirigido por Olivier Assayas.
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Enquanto Lee Hauser (James Johnston) morre de overdose de heroína sozinho num quarto de hotel barato, Emily Wang (Maggie Cheung), companheira de Lee e mãe do filho dele, permanece num carro sob o efeito da mesma droga observando imagens apocalípticas de uma era agonizante.
Assayas vê similaridades entre a indústria fonográfica e a produção de aço. Ambas são alimentadas por máquinas de fundição quentíssimas e esforço apaixonado. Ambas são brilhantes, mecânicas e dirigidas pelo lucro. E, sobretudo, ambas são perigosas.
O mundo da música é visto aqui como um mundo de interesses egoístas e satisfações rápidas.
O filme de Assayas é complexo e envolvente, mas mantém tudo a uma certa distância. Com o desempenho de Cheung, interessante porém frio, apenas um público comprometido conseguirá se empolgar por ele.
Há muito de Brian Eno na trilha sonora, e Assayas deixa a câmera em constante movimento, conferindo ao filme um sentimento de nervosismo em sincronia com a existência regada por drogas de Emily. Ela se movimenta bastante também, do Canadá para Paris e Londres, em todos os lugares com pessoas que a conhecem e em sua maioria desconfiam dela.
A história que o filme tenta contar é a descoberta tardia de Emily de sua responsabilidade como mãe, mas Assayas leva um bom tempo até chegar a ele.
Enquanto Emily e Hauser levam uma vida itinerante de roqueiros, o filho deles, Jay (James Dennis), ficou com os seus avós, Albrecht e Rosemary, em Vancouver.
Nick Nolte e Martha Henry dão um tom totalmente diferente ao processo, interpretando os avós idosos e preocupados.
Eles obtêm uma ordem judicial para que continuem a criar o menino, embora Albrecht se comova com a difícil situação de Emily. Emily lida com a perda e o fim da boa vida da maneira habitual: com mais drogas.
Apenas com o tempo ela percebe que a salvação está em se manter sóbria e em se tornar uma mãe de verdade.
O filme foi exibido no Festival de Cannes de 2004.
Reuters