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| Cena do filme |
O gorila é magnífico, a garota é linda de morrer e os cenários são do outro mundo. O diretor, obviamente, não acredita nas palavras "já chega". O novo King Kong, de Peter Jackson, mostra a capacidade que os cineastas mais imaginativos do planeta têm, hoje em dia, em colocar imagens impressionantes na tela.
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Mas, por outro lado, o longa também prova como efeitos digitais, computadorizados e miniaturas tecnológicas podem prejudicar a brincadeira.
Acreditando firmemente que nada faz mais sucesso do que o excesso, Jackson e um exército de técnicos aumentam as apostas nos efeitos visuais a cada minuto do filme.
O deslumbramento que isso provoca no início declina gradualmente na terceira hora de história. Não chega bem a desaparecer - o filme tem um grande final, apesar de tudo. Mas deve provocar debates fora das salas de cinema sobre a linha tênue entre o exagero e a auto-indulgência diretorial.
Após o triunfo de sua trilogia O Senhor dos Anéis, Jackson tem nas mãos outro sucesso de bilheteria mundial com King Kong. Trata-se de cinema de espetáculo, para dizer o mínimo, no qual o diretor está ajustado com as emoções da história e com sua própria paixão infantil por aventura e fantasia.
Embora tenha permanecido fiel ao original de 1933, filmado por Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack, Jackson acrescentou algumas cenas de ação.
Na Ilha da Caveira
O espectador é envolvido em um mundo de cinemas: King Kong não é apenas uma refilmagem de um clássico antigo, mas um filme sobre a produção de tal filme.
Lembranças do original surgem na cabeça de vários espectadores, e os roteiristas conseguiram recriar a época da Depressão enquanto transformam a viagem para a Ilha da Caveira em uma expedição para fazer um filme.
Jack Black interpreta Carl Denham, um diretor e produtor aventureiro ao estilo de Orson Welles, que freta um navio a vapor para entrar no território do Pacífico Sul na esperança de fazer um longa meio documentário, meio aventura.
Quando os patrocinadores resolvem abandonar a empreitada, ele se vê em apuros e precisa encontrar uma nova atriz do dia para a noite.
Ele convence a atriz de teatro Ann Darrow (Naomi Watts) a participar da produção, contracenando com Bruce Baxter (Kyle Chandler). Denham praticamente sequestra o dramaturgo Jack Driscoll (Adrien Brody). Como não há cabines disponíveis no navio, Denham precisa escrever o roteiro em uma jaula feita para conter animais perigosos no porão da embarcação, uma das muitas piadas do filme.
A tripulação consiste do capitão Englehorn (Thomas Kretschmann), seu assistente Preston (Colin Hanks), os jovens Jimmy (Jamie Bell) e Hayes (Evan Parke). O clima de tensão começa já durante a viagem, com Jackson usando o barulho do motor do navio, a tripulação sugando seus cigarros, olhares amedrontados para o mar e a música do compositor James Newton Howard.
Na Ilha da Caveira, onde o barco encalha, as imagens computadorizadas ganham espaço. A topografia exagerada guarda restos fossilizados de uma antiga civilização, vegetação deformada, caveiras e ossos por toda parte.
Nova York nos anos 30
Em um encontro com aborígenes ameaçadores, os nativos capturam Ann para usá-la como sacrifício ao principal macho da ilha. King Kong não aparece antes de passados 70 minutos de filme, mas quando ele surge na tela, o efeito é devassador.
O ator Andy Serkis - que interpretou Gollum em O Senhor dos Anéis - dá vida a Kong, trazendo uma série de expressões ao rosto do animal.
Ann torna-se a primeira criatura comestível a atrair o interesse do gorila. Tentando salvar sua vida, Ann exibe para o monstro seu número no teatro. A relação então se desenvolve logicamente. Ela representa para ele uma folga da brutalidade e das mortes, e ela reconhece nele os anos de solidão e ferocidade.
Surpreendentemente, os efeitos visuais na ilha algumas vezes deixam a desejar. Uma luta entre Kong e três dinossauros T. Rex se arrasta por tempo demais. Uma fuga de brontossauros, com atores correndo aqui e ali em meio a enormes patas, é esquisito de se ver, um lapso de um diretor apaixonado por efeitos visuais.
Após a captura de Kong e a viagem de volta a Nova York, o filme está pronto para o terceiro ato 0 e para o anti-clímax. Os cineastas conseguem fazer um interlúdio antes do famoso encontro de Kong no topo do Empire State, com um passeio pelo Central Park. Mas então, nos momentos finais no topo do prédio, o filme encontra um senso de tragédia inevitável.
Watts é uma atriz tão boa que consegue gritar tão bem quanto Fay Wray no original, dando a um personagem de filme B integridade e veracidade. Brody vira e mexe desaparece de cena, mas consegue ser um rival à altura de Kong pela afeição de Ann.
O cineasta interpretado por Black é engraçado, mas superficial demais, o que o torna uma coleção de clichês sobre a desonestidade de Hollywood.
Para muitos, a maior façanha do filme é a recriação de uma Nova York dos anos 1930 em terceira dimensão, permitindo que a câmera voe para todo canto nessa cidade virtual.
Reuters