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| Cena do filme |
Plano de Vôo, estréia da sexta-feira, é uma variação contemporânea sobre o tema do clássico de Alfred Hitchcock A Dama Oculta, de 1938, com a diferença de que a dama em questão é uma garota de 6 anos que, no lugar de desaparecer num trem, some a 37 mil pés de altitude, durante um vôo entre Berlim e Nova York.
Veja trecho do filme Plano de Vôo
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Enquanto o filme de Hitchcock enfatizava o mistério e a comédia, este trabalho do jovem diretor alemão Robert Schwentke (Tattoo) destaca a paranóia e a ira.
Jodie Foster, duas vezes vencedora do Oscar, pode atrair o público na estréia do filme, mas dificilmente Plano de Vôo vai repetir o sucesso de outro thriller deste ano que se passa no ar, Vôo Noturno.
A atriz aparece novamente no clima de mãe protetora e mulher à beira de um colapso nervoso que ajudou a fazer de O Quarto do Pânico, de David Fincher, um sucesso nas bilheterias.
Ela aparece com um visual magro e tenso e um ar de obsessão implacável que o observador casual pode até interpretar como paranóia. Os comissários de bordo e a maioria dos passageiros no avião se irritam ao vê-la perturbando um vôo tranquilo e têm certeza absoluta de que não viram nenhuma criança em sua companhia no avião. Será que nem uma única pessoa viu sua filha?
O filme começa de maneira estranha, num clima de quase pesadelo. Uma mulher, Kyle Pratt (Foster), percorre as ruas vazias e recobertas de neve de Berlim durante a noite. Ela é acompanhada por um homem que, mais tarde, ficamos sabendo ser uma visão de seu falecido marido, que poucos dias antes caiu ou saltou da cobertura de um prédio.
Fica claro que o diretor e os roteiristas Pete Dowling e Billy Ray querem criar na mente do espectador uma dúvida quanto à sanidade mental de Kyle. Mas a tentativa irrita, na medida em que situa o thriller num mundo irreal ou mesmo surreal no qual o espectador não pode confiar em nada que vê na tela.
O resto do filme transcorre a bordo de um avião. Seus tripulantes se mostram incomumente hostis para com os passageiros, alguns árabes entram na equação para levantar a bandeira do terrorismo, e dois homens aparentemente razoáveis, o agente de segurança federal Carson (Peter Sarsgaard) e o capitão Rich (Sean Bean), se esforçam para aplacar a mãe desesperada.
Não vamos revelar aqui nenhum dos truques ou viradas inesperadas do filme. Mas pede-se ao público que acredite nas seguintes premissas: que ninguém no vôo lotado viu a filha de Kyle, Julie (Marlene Lawston), nem mesmo as crianças sentadas diretamente à sua frente; que ninguém observou alguém levando uma criança provavelmente a contragosto pelo corredor do avião, enquanto sua mãe dormia; que uma companhia aérea inteira ainda é suscetível a sabotagem rudimentar, mesmo no pós-11 de setembro; que Kyle por mero acaso é engenheira de aviões e conhece as configurações da aeronave melhor do que a própria tripulação, e, para concluir, que nosso vilão é capaz de prever cada coincidência capaz de acontecer, por mais improvável ela seja.
Jodie Foster representa seu papel com uma intensidade quase digna de ópera. Já Sarsgaard se mostra flexível e simpático, enquanto Sean Bean age com profissionalismo frio. Assaf Cohen é o árabe do filme, um passageiro que os outros discriminam por sua etnia.
Redação Terra