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 A Marcha dos Pingüins

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Cena do filme Foto: Divulgação
Cena do filme Foto: Divulgação

O que há no pingüim imperador e em seus domínios no território inóspito da Antártida que nos faz olhá-los maravilhados e de queixo caído? Com certeza, ele é uma das criações mais estranhas da natureza. Esse animal, que na verdade é uma ave, é tão engraçado quanto nobre na aparência.

Assim que ele deixa seu habitat natural na faixa costeira, tem de lutar para executar qualquer tarefa em uma terra congelada. E, no entanto, os estóicos e resolutos heróis e heroínas do documentário A Marcha dos Pinguins, de Luc Jacquet, que estréia na sexta-feira, cativam o espectador.

A Warner Independent, que adquiriu os direitos do documentário francês no Festival de Sundance, acrescentou uma narração em inglês feita por Morgan Freeman, de olho no mercado norte-americano.

Não existe mais o expediente usado por atores para fornecer diálogos aos pingüins. Em vez disso, o lançamento norte-americano volta à pureza das aves que se encaram ou olham silenciosamente para seus preciosos filhotes, deixando ao espectador a tarefa de intuir o contexto emocional.

O ritmo da música de Wurman é um achado a mais, atenta ao humor e à gravidade do tradicional ritual de acasalamento dos pinguins.

Jacquet insiste em mostrar esse rito quase suicida como uma "história de amor". A aproximação antropomórfica pode desconcertar um biólogo, mas quem pode negar a proximidade dos laços entre casais, necessária para produzir e proteger um único ovo, ou a agonia sofrida por um dos pais quando um filhote se perde?

Depois de filmar em 16 mm durante 13 meses, em condições que só podem ser imaginadas, o diretor e sua editora, Sabine Emiliani, moldam as imagens para formar uma emocionante fábula de sobrevivência, uma corrida anual contra o tempo da qual depende a própria sobrevivência da espécie.

Quando as aves crescem, deixam para trás a segurança relativa do mar cheio de alimentos geralmente no mês de março, com a chegada do inverno polar. Elas saem, então, em fila indiana por vários quilômetros até seu tradicional local de acasalamento.

Ali, machos e fêmeas formam pares (o filme não chega a dizer o que acontece com aqueles que não encontram um par).

Conforme o tempo piora, a fêmea produz um único ovo. Em um delicado ato, ela deve transferi-lo para o macho, que o protegerá de temperaturas que chegam a 28 graus centígrados negativos.

Famintas e exaustas, as fêmeas caminham de volta ao mar para encher suas barrigas para o recém-nascido. Enquanto isso, os machos passam 125 dias sem comida, esperando que os ovos choquem e que seus pares voltem com comida.

Muitas fêmeas não voltam, já que caem vítimas da marcha exaustiva ou de predadores como a foca-leopardo.

Se, e quando, as fêmeas voltam e um filhote sobrevive - ambos são grandes "se" -, é a vez de os pais famintos voltarem andando para o mar.

Esse ciclo continua até que o jovem pinguim possa fazer a jornada para a costa e mergulhar pela primeira vez nas águas da Antártida.

Surpreendentemente, pelo menos para aqueles que engoliram a "história de amor", a unidade familiar se rompe. O jovem pingüim pode nunca mais ver seus pais, e os pais raramente se reúnem para um segundo inverno.

A equipe de Jacquet, filmando debaixo d'água e em um cenário branco que parece um Monumento Valley congelado, consegue imagens surpreendentemente próximas das aves lutando contra as intempéries. Somente na passagem dos créditos, é possível ver a equipe em ação, colocando de forma desajeitada seus tripés e sendo observada com curiosidade pelos pingüins.

Talvez o filme seja uma história de amor, afinal. O que mais poderia explicar a dedicação desses cineastas franceses malucos?

  1. A Marcha dos Pingüins estréia nos cinemas brasileiros nesta sexta, dia 13

    Foto: Divulgação

  2. O filme é dirigido pelo cineasta francês Luc Jacquet

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  3. A Marcha dos Pingüins já é o segundo documentário em bilheteria

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  4. O filme perde apenas para o polêmico Fahrenheit 9/11 do norte-americano Michael Moore

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  5. A Marcha do Pingüins mostra a jornada percorrida pela espécie para a reprodução

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  6. Nos EUA, a fita contou com a narração do veterano e renomado Morgan Freeman

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  7. Para a versão brasileira, a atriz Patrícia Pillar e o ator Tony Ramos foram escalados para a narração

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  8. Os pingüins fazem uma caminhada de quilômetros buscando lugares de frio rigoroso para a reprodução

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  9. Em 1993, Jacquet dirigiu O Congresso dos Pingüins onde faz uma prévia do que viria em A Marcha dos Pingüins

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  10. O filme chega aos cinemas nesta sexta-feira

    Foto: Divulgação

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Ficha Técnica
Titulo original La Marche de L´Empereur
Gênero Documentário
Ano 2005
País de origem França, Estados Unidos
Distribuidora Buena Vista International/ Warner Independent Pictures/Lumière
Duração 85 min.
Cor Colorido
Som DTS Dolby Digital
Diretor Luc Jacquet
Elenco Narração em português por Tony Ramos e Patrícia Pillar
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