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| Cena do filme |
Em O Sol de Cada Manhã, Nicolas Cage é David Spritz, o tipo de cara que faz as pessoas saírem do sério. Ele não consegue evitar gafes, mesmo com todos os toques que recebe ¿ e ignora. O desafio do roteirista Steve Conrad e do diretor Gore Verbinski foi exatamente o de fazer o público se identificar com tal figura.
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Mas nem sempre eles se saem bem. Na cena de abertura, Cage está com uma aparência tão triste que, embora todas as evidências indiquem o contrário, sabe-se que David é um homem infeliz.
Profissionalmente, ele consegue ganhar bem trabalhando durante algumas horas por dia como homem do tempo de uma emissora de televisão de Chicago. Ele é até sondado por um programa matinal de Nova York. No entanto, não muito abaixo dessa superfície está uma profusão de insegurança e dor, que tem pouco a ver com o fato que seus "fãs" adoram jogar restos de fast-food nele na rua.
David é divorciado e odeia essa condição. Apesar dos modos condescendentes de sua ex-mulher Noreen (Hope Davis), ele quer voltar para ela. David batalha igualmente sem resultados para obter a aprovação do pai, Robert Spritz (Michael Caine), um romancista premiado que pode ter uma doença fatal.
O filho (Nicholas Hoult, o menino de Um Grande Garoto) está em terapia por fumar maconha e seu terapeuta (Gil Bellows) dá sinais de que é pedófilo. Enquanto isso, a filha obesa (Gemmenne De La Pena) se sente triste e solitária a maior parte do tempo. Para se aproximar dela, David decide fazer aulas de arco e flecha.
Para ele, porém, o aspecto mais deprimente é seu emprego. Tendo seu pai como modelo, David espera mais de si mesmo do que ser apenas o homem do tempo da TV. Ele nem mesmo é um meteorologista. O filme tenta mostrar o retrato desse sucesso que o personagem acredita ser um fracasso, mas nunca vai além.
A interpretação de Cage é inteligente. David frequentemente age como tolo, mas o problema verdadeiro é a falta de ferramentas internas para lidar com os desafios. O pai interpretado por Caine é seu exato oposto, um homem com poucas dúvidas sobre si mesmo e com a facilidade de um escritor em perceber as mínimas mudanças de comportamento. Os jovens atores que fazem os filhos de David saem-se maravilhosamente bem ao expressar a confusão da juventude no encontro com o mundo patético dos adultos.
Como o filme se passa em Chicago e em Nova York, o inverno tem seu papel na história. O cinegrafista Phedon Papamichael consegue fazer o espectador até sentir frio.
Reuters