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| Cena do filme |
Ben Younger fez uma grande estréia como roteirista e diretor há cinco anos, com um drama sobre fraudes na bolsa de valores intitulado O Primeiro Milhão. Agora ele volta à cena com Terapia do Amor, mostrando que é igualmente hábil no gênero da comédia romântica.
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Mas é uma comédia romântica de tipo muito específico: a história acontece em Nova York e é bastante judaica, com personagens que são profissionais liberais e se interessam por arte e cultura.
Alguns momentos do filme podem lembrar as comédias melhores de Woody Allen, mas Younger imprimiu sua marca própria a esse território já conhecido.
Como fez em O Primeiro Milhão, Younger recrutou um elenco de primeira linha, encabeçado por Uma Thurman, Meryl Streep e um ator jovem com potencial para virar astro, Bryan Greenberg. O maior elemento que favorece o filme é a escassez geral de comédias românticas sólidas, com personagens fortes e convincentes.
Lisa Metzger (Meryl Streep) é uma psicoterapeuta do Upper West Side cuja paciente, Rafi (Uma Thurman), profissional liberal de 37 anos recém-divorciada, lhe conta que está saindo com um homem muito mais jovem. Lisa responde que a relação pode funcionar bem, já que ambos estão no auge de seu vigor sexual.
Mas Rafi se preocupa, não sabendo como criar um relacionamento realista com Dave (Bryan Greenberg), pintor de 23 anos que vive com seus avós no Brooklyn. Tudo o que ela sabe é que está se divertindo a valer com ele, dentro e fora da cama.
"Parece muito bom," declara Lisa, diante do entusiasmo de sua paciente. Mas a psicóloga reage de maneira oposta com seu filho quando ele lhe conta que está namorando uma mulher não judia. Lisa não tem nada contra gentios, mas não quer que seu filho dê as costas a seu legado religioso e cultural, casando-se com uma não judia. Então para quê namorar uma?
Uma palavrinha de aviso: nesse momento do filme, muitos espectadores já terão adivinhado a surpresa na trama. Mas, se você não quiser saber do que se trata, não leia o próximo parágrafo.
Sim, é isso mesmo: Dave, com quem Rafi está saindo, é filho de Lisa. Quando os detalhes que Rafi conta à psicóloga deixam isso muito claro para Lisa, sua tentativa de acalmar-se após a sessão com a paciente forma uma cena de comédia clássica. Uma segunda cena clássica se dá quando Rafi descreve os detalhes íntimos de suas transas com Dave, levando Lisa ao constrangimento extremo.
Younger evita com muito tato qualquer coisa demasiado óbvia ou clichê. Ele deixa a relação romântica central evoluir em momentos pequenos, em vez de situações ou cenas exagerados. Além disso, enfrenta de maneira honesta os problemas decorrentes de uma relação entre uma mulher mais velha e um homem muito mais jovem, sem passar por cima de nada. É isso, e não qualquer outra questão, que acaba por causar problemas à relação.
Uma Thurman nunca esteve mais bela; suas cenas com a terapeuta e o namorado são representadas com simplicidade e naturalidade cativantes. Meryl Streep deveria fazer mais comédias, porque é tão ótima nisso. O grande achado do filme, porém, é Bryan Greenberg, um ator jovem cuja beleza e capacidade de atuar funcionam à perfeição nas situações dramáticas e cômicas da história.
Reuters