No esforço para traduzir o estrelato em Hong Kong em sucesso nos Estados Unidos, Jet Li tem lutado por meio de filmes com atuações constrangedoras e efeitos especiais medíocres. No entanto, Cão de Briga é o longa mais interessante que Li já fez em inglês.
O filme, sem estrelas nem os efeitos artificiais usados para vender os trabalhos anteriores de Li, apresenta cenas de ação com a simplicidade emocional de uma história de ninar, pintada com as cores sombrias do submundo de Londres.
O tom sombrio do filme e os trechos calmos do enredo podem não empolgar todos os fãs de filme de ação, mas Li não mede forças quando chega o momento de lutar. Desaparecem agora a coreografia graciosa e as poses elegantes dos seus épicos mais tradicionais de artes marciais.
O personagem de Li, Danny, foi treinado desde a infância para não fazer outra coisa a não ser atacar. Seu guardião (Bob Hoskins) o mantém preso como um cachorro e retira a coleira apenas quando é hora de dizer "Pega!". Danny destrói os oponentes, estejam eles em grupos ou não, e volta obediente ao seu mestre.
As coisas mudam quando Danny se vê sob os cuidados do afinador de piano cego Sam (Morgan Freeman) e da nora chamada Victoria. Ao morar na casa deles, Danny começa a falar e mostrar interesse pelo que está à sua volta. Ele é como uma criança, intimidado, mas fascinado pelas coisas às quais os adultos não prestam atenção.
Hoskins reaparece, é claro, com a intenção de usar Danny para ganhar uma fortuna no mundo das lutas underground. Em brigas ao estilo gladiador, Danny é forçado a lutar até a morte contra adversários usando armaduras de couro e correntes. Recém-tornado humano, Li recua ao voltar a arena de briga, e Hoskins começa a persegui-lo.
Filmando a partir de um roteiro de Luc Besson (cujo interesse em artes marciais ajudou o impressionante Ong-Bak a chegar a este lado do planeta), o diretor Louis Leterrier lida com a ação do filme num estilo seco e brutal que combina com o protagonista.
As cenas de luta são vibrantes não importa se Li esteja contra vários vilões - onde ele precisa saltar, pular e se abaixar para desviar dos golpes - ou numa disputa um contra um num pequeno toalete que rivaliza com o trailer de Kill Bill para o título de arena mais claustrofóbica.
Não há nada profundo sobre o drama, mas o elenco é sólido de maneira uniforme. O papel de Li é a maior empreitada feita por ele em inglês até hoje e o ator conquista nossa simpatia facilmente entre um momento com mais adrenalina e outro.
A personalidade reservada do astro pode impedir que ele consiga tantos seguidores norte-americanos quanto Jackie Chan, mas com Cão de Briga ele manterá os fãs que já tem.



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