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| Cena do filme |
A comédia As Loucuras de Dick e Jane é a refilmagem de uma história sobre um casal esnobe que apela ao roubo para manter seu estilo de vida.
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Mas, enquanto o original de 1977 conseguia fazer rir com piadas de tons subversivos, a nova versão prefere optar pela risada fácil.
O filme dirigido por Dean Parisot (de Heróis fora de Órbita), baseado no roteiro de Judd Apatow e Nicholas Stoller, consegue fazer atualizações espertas, trazendo a história para o ano de 2000 - "muito, muito tempo atrás" em relação à bolha da suposta inocência norte -americana pré-guerra contra o terror.
No processo, porém, a fita destrói a sátira potencial com comentários óbvios contra a ambição corporativa, e faz isso de um modo falso, forçado e cínico.
Os fãs de Jim Carrey - e quem estiver a fim de uma pausa nas ofertas sérias dessa temporada cinematográfica - podem alavancar o filme nas bilheterias, mas Dick e Jane não deve ser um arrasa-quarteirões.
No original dos anos 1970, um executivo (George Segal) e sua mulher (Jane Fonda) voltam-se para o crime depois que ele perde o emprego. A interpretação esperta e engraçada de Segal e Fonda era uma das forças do filme, embora tenha servido para fazer dos egoístas protagonistas personagens mais simpáticos, talvez, do que deveriam ser.
Na nova versão, as coisas se portam de maneira um pouco diferente. Aqui, o casal vira vítima das trapaças corporativas. Um executivo em ascensão em uma empresa da mídia, Dick Harper (Carrey) é o tipo de sujeito que gosta de colocar em suas conversas palavras difíceis como "sinergia" e "consolidador".
Sua esposa, Jane (Leoni), é o protótipo da mãe cheia de tarefas. A pedido de Dick, ela pede demissão de seu emprego estressante como agente de viagens depois que ele recebe a promessa de uma grande promoção.
Mas há uma reviravolta na empresa, e Dick vê seu emprego se desintegrar graças a um golpe milionário. Como toda a economia do casal foi investida em ações da companhia, com o fim da empresa eles ficam na miséria.
Baseando-se em gags visuais e palhaçadas, o filme explora o ridículo da situação, enquanto os Harper mantêm sua mansão sem água nem eletricidade, em meio a vizinhos que exibem, orgulhosos, seus Mercedes que funcionam por comando de voz.
A ameaça do banco de executar a hipoteca leva Dick a atravessar a fronteira, e logo ele e a mulher estão manuseando a arma de água do filho (não uma arma real, porque eles no fundo não são maus), em uma série de assaltos elaborados.
Carrey e Leoni se saem bem na comédia física. Eles também transmitem aquela química exigida por um casal que costumava marcar na agenda quando faria sexo e que agora volta a se apaixonar graças à atividade criminosa.
Mas na maior parte do tempo eles só passeiam pelo set protagonizando atos exageradamente "engraçados".
Reuters