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| Cena do filme |
Com suas observações afiadas sobre o confronto entre uma executiva travada de Manhattan e o clã liberal de seu namorado, o diretor e roteirista Thomas Bezucha cria uma nova dinâmica para os filmes de reunião familiar no Natal.
Mas Tudo em Família gasta tempo demais apostando em idéias fracas de comédia romântica para ser atraente ao público.
Apesar da trama irregular e da mistura caótica de personagens, o maior ponto de atração do filme é o retrato esperto, engraçado e natural que Diane Keaton faz da formidável matriarca Stone.
Os fãs da atriz e de Sarah Jessica Parker - em seu primeiro grande papel no cinema depois do seriado Sex and the City - vão correr em bandos ao cinema.
Infelizmente, Parker é um dos membros do elenco que não se sai muito bem. Quem estiver buscando a irreverência de Carrie Bradshaw encontrará no lugar uma controladora neurótica e atarefada. Mas Parker consegue mostrar alguns momentos fortes, principalmente quando o roteiro tira sua personagem, Meredith, do altar de sacrifício da família Stone.
A história acontece durante o feriado de três dias em uma cidade da Nova Inglaterra não identificada, onde Meredith e seu namorado, Everett (Dermot Mulroney), vão visitar a mãe (Keaton) e o pai (Craig T. Nelson) dele.
O ambiente está contra ela: a irmã caçula de Everett, Amy (Rachel McAdams), odeia Meredith. E Sybil (Keaton), uma mulher com um estilo que lembra o de Susan Sontag, observa Meredith com um sorriso de desdém quando ela cruza a soleira da porta. Quem não se sentiria intimidado?
Bezucha (cujos créditos incluem o independente Big Eden) acerta em sua descrição sem preconceitos do modo como pessoas tolerantes e "abertas" podem ser absolutamente intolerantes - e mesmo se deliciar sendo malvadas, com McAdams e Keaton dando bons exemplos.
Mas ele mergulha sua história em alinhamentos e realinhamentos românticos que, no final, parecem forçados.
A trama começa quando Meredith, sob um cerco passivo-agressivo, convoca a irmã para lhe dar apoio moral. Quando Everett conhece a luminosa Julie (Claire Danes) - não poderia haver um contraste maior em relação à fria Meredith - sua máscara de infelicidade finalmente derrete.
Como Parker, Mulroney é reprimido por um papel que não chega a convencer. Por mais desencontrado que Everett e Meredith possam ser, qualquer casal tentaria ao menos não parecer tão miserável quanto esses dois. E, como executivos de sucesso, eles teriam de saber como se virar melhor em um ambiente hostil.
Mas as famílias têm um modo de destruir nossas melhores defesas, e, conforme o encontro prossegue, o principal aliado de Meredith não é mais seu namorado, mas o irmão deste (Luke Wilson, em uma das melhores interpretações do filme), um editor de documentários.
Em torno da prole está a filha casada e grávida Susannah (Elizabeth Reaser) e o filho caçula Thad (Tyrone Giordano). Thad é gay e surdo, seu parceiro (Brian White) é negro, e eles pretendem adotar uma criança.
Em tempo: um bônus com temática de feriado espera os fãs de Keaton que ficarem até o fim dos créditos.
Reuters