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| As Chaves de Casa |
Repetindo a dinâmica pai e filho de seu premiado filme O Ladrão de Crianças, de 1992, Gianni Amelio faz um retrato igualmente surpreendente e único da relação pai-filho em As Chaves de Casa.
Inspirado no livro Nati due volte, do escritor Giuseppe Pontiggia, esse filme em língua italiana examina o laço comovente criado por um pai há muito tempo ausente que reencontra seu filho, que precisa de cuidados especiais.
Os que estiverem atrás de uma dose generosa de ternura ou de uma mensagem edificante da vida, banhada por arranjos orquestrais, devem procurar em outro lugar.
Quinze anos atrás, Gianni (Kim Rossi Stuart) abandonou o filho portador de deficiências físicas e mentais após seu nascimento traumático (a mãe morreu durante o parto). Criado pela família da mãe, Paolo (Andrea Rossi, em uma estréia notável) se encontra pela primeira vez diante do pai com quem viajará para um hospital especial em Berlim, onde o menino será submetido a testes e à reabilitação.
Não é preciso dizer que a viagem fica um pouco tumultuada às vezes, com Gianni, consumido pela culpa, tendo que aprender a ser um pai de verdade para a criança que só agora ele conhece.
Trabalhando ao estilo do cinema neo-realista, Amelio mantém os estratagemas no mínimo, deixando a pureza das interpretações estabelecerem o tom comovente do filme.
O Paolo de Rossi é um garoto esperto, com um senso de humor muito estranho, e há horas em que suas deficiências parecem desaparecer.
Como se todas as cenas dolorosas entre Rossi e Stuart não fossem pungentes o bastante, entra em cena o personagem de Charlotte Rampling como uma francesa devotada aos cuidados de sua filha, que estoicamente ajuda Gianni a aceitar um futuro não necessariamente brilhante nem alegre.
Reuters