| Divulgação |
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| Cena do filme |
Estudante de cinema em Cuba nos anos 1980, o carioca Vicente Ferraz teve ali seu primeiro contato com um filme famoso, mas pouco visto, Soy Cuba (1964), do russo Mikhail Kalatosov. Apaixonado pelo que viu, Ferraz decidiu resgatar a história do filme, que se tornou maldito nos dois países que o produziram, Cuba e a antiga União Soviética.
O resultado está no documentário Soy Cuba - O Mamute Siberiano, que marca a estréia de Ferraz e foi destaque no Festival de Sundance, além de ter sido premiado nos festivais de Chicago, Guadalajara e Gramado, em 2005.
Pouco antes de Ferraz iniciar seu filme, em 2004, os cineastas norte-americanos Martin Scorsese e Francis Ford Coppola descobriram a obra de Kalatosov numa retrospectiva do diretor russo nos Estados Unidos.
Os dois diretores decidiram então batalhar pela restauração e pelo relançamento mundial de Soy Cuba, que saiu também em DVD. No Brasil, o filme foi lançado por dois selos diferentes.
Superprodução que deveria funcionar como propaganda socialista no auge da Guerra Fria, Soy Cuba foi pouco exibido nos cinemas cubanos e soviéticos por não ter agradado seus produtores.
Logo depois de ter sido lançado em Cuba, a cópia foi direto para o arquivo do Instituto Cubano de Artes e Indústria Cinematográfica. Por sorte, os negativos foram bem conservados, servindo de base para o documentário de Ferraz.
Filmando um enterro
O diretor brasileiro incluiu em seu filme diversos trechos de Soy Cuba, como o plano-seqüência de um enterro que abre o documentário. A cena foi uma das que mais impressionaram Scorsese, que chegou a telefonar ao câmera do filme original, Aleksandr Kaltsastyj, dizendo-lhe que "não podia morrer" sem saber como ela fora feita.
O segredo: a câmera foi acoplada por meio de um ímã a um pequeno teleférico instalado na parte superior de alguns prédios de Havana, dando a sensação de que está "voando" sobre o cortejo fúnebre.
O diretor brasileiro reconta a história do filme por meio de depoimentos de atores e técnicos sobreviventes, como o co-roteirista Enrique Pineda Barnet e o citado câmera Kaltsastyj.
Desse modo, fica-se sabendo que o diretor russo não foi escolhido para liderar o projeto por acaso. Era um cineasta importante dentro e fora de seu país, premiado com a Palma de Ouro em Cannes em 1957, com o filme Quando Voam as Cegonhas.
Esse currículo o habilitou a produzir não apenas um filme, mas o símbolo da aliança entre Cuba e URSS, pouco depois do rompimento das relações diplomáticas entre os Estados Unidos e a ilha de Fidel.
Reuters