Josh Sternfeld, o jovem diretor e roteirista de Sobre Pais e Filhos, estréia desta sexta-feira, consegue nadar contra a corrente do cinema popular, com uma visão contemplativa da vida, na qual nem todas as emoções são explícitas.
Mas há uma diferença entre economia de recursos e uma pobreza absoluta de narrativa. Tão pouco é falado e a realidade é tão pequena e lenta que tornam o filme insuficiente.
Anthony LaPaglia (que também é produtor executivo) faz o papel de um viúvo responsável pela criação de dois adolescentes nos subúrbios de Nova Jersey. Ele ganha a vida com um negócio de paisagismo.
Durante um bom tempo, Sternfeld retém informações sobre a morte da esposa. Ele simplesmente retrata uma família que não consegue se comunicar, sem dizer o motivo dessa falta de comunicação.
Então, quando o pai revela a uma nova vizinha (Allison Janney), pela qual nutre um certo interesse, a circunstância envolvendo o trágico acidente com sua esposa, o filme deveria acabar aí. Mas não é o que acontece. E não há mais nada que se precise saber. Porque esse único fator já explica todo o comportamento dos personagens e o silêncio aflito.
O que não é explicado é o motivo de os dois filhos serem tão canalhas. O mais velho (Aaron Stanford), compreensivelmente quer sair da cidade a qualquer custo. Ele vai para Tampa principalmente porque tem um amigo que mora ali.
Mas ele não tem sensibilidade ao contar a sua estratégia de fuga para sua doce e leal namorada (Michelle Monaghan) nem para sua família, apenas alguns dias antes da grande mudança.
O filho caçula (Mark Webber) é bem pior. Ele se indispõe com praticamente todo mundo que conhece e segue pela vida sem um objetivo. Claro, podemos adivinhar que isso acontece devido à culpa de quem sobreviveu a um trágico acidente.
Aparentemente, a história ocorre nos dias atuais, mas a impressão que se tem é que aconteceu 30 anos atrás. Não é porque ninguém tem um celular. A cidade e o estilo de vida parecem muito mais calmos do que os dias de hoje, e o retrato que Sternfeld faz da vida no subúrbio é surpreendentemente idílico.
Reuters