| Divulgação |
 |
| Cena do filme |
O cineasta Stephen Frears, que levou seu Coisas Belas e Sujas a Toronto há três anos, volta com outra preciosidade. Sra. Henderson Apresenta, que estréia nesta sexta-feira, traz Judi Dench como uma viúva entediada nos anos 1930, que compra um teatro abandonado no bairro londrino do Soho e abala a sociedade britânica ao exibir um espetáculo de nudismo. Frears, um cineasta que não gosta de se repetir, está à vontade ao mostrar o que é provavelmente seu filme de maior potencial comercial em anos.
O longa tem diálogos inteligentes, interpretações perfeitas e números de produções impressionantes. E é claro que todas aquelas mulheres nuas não atrapalham.
Em um papel que lhe cai como uma luva, Dench é a excêntrica e mordaz Laura Henderson, uma mulher de considerável riqueza e status social que acaba de enterrar seu marido.
Recusando-se a ingressar de maneira submissa na viuvez, ela aceita o conselho de sua amiga Lady Conway (Thelma Barlow) e encontra um hobby. Mas como não gosta nem de tricô nem de crochê, ela decide comprar um prédio fechado na Great Windmill Street, no Soho, com a intenção de transformá-lo em um teatro de variedades.
Consciente de que não conhece o negócio, ela contrata um empresário desempregado chamado Vivian Van Damm (Bob Hoskins, em um dos seus melhores papéis em anos) para fazer o lugar funcionar.
Esses dois indivíduos teimosos não se dão muito bem, mas conseguem superar as diferenças e colocar o Teatro Windmill em funcionamento, inclusive com algum sucesso.
Mas o sucesso dura pouco. Perdendo grandes somas em dinheiro, a Sra. Henderson busca inspiração no Moulin Rouge de Paris. Ela então consegue colocar atrizes nuas no palco, driblando as leis de censura draconianas do puritano Lord Cromer (Christopher Guest), e obtendo grande sucesso.
Embora outros filmes já tenham se inspirado no Teatro Windmill (Rita Hayworth fez o papel de uma das atrizes no filme de 1945 Coração de uma Cidade), este é o primeiro a contar a verdadeira história de Laura Henderson.
Graças a um roteiro deslumbrante de Martin Sherman (de Bent e The Boy from Oz), o filme serve como um programa esplêndido, divertido e, ao mesmo tempo, não ignora os impulsos mais sombrios gerados pelo cenário da Segunda Guerra Mundial.
Os diálogos de Sherman e a interpretação de Dench são um casamento feito no céu, enquanto Hoskins mostra-se um parceiro igualmente talentoso.
O diretor Frears orquestra as mudanças de humor do filme com uma fluidez refinada, uma qualidade que é acompanhada pelos arranjos de George Fenton e os números musicais de Eleanor Fazan.