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| Cena do filme |
Apesar das atuações seguras, porém contidas, de Robert Redford, Jennifer Lopez, Morgan Freeman e da novata adolescente Becca Gardner, Um Lugar para Recomeçar combina excessivamente com seu título original, An Unfinished Life (uma vida inacabada).
O filme em nenhum momento realiza seu potencial dramático, optando, em vez disso, por seguir caminhos narrativos previsíveis, com personagens demasiado óbvios.
Na verdade, a impressão que se tem é que só faltaria aos personagens usarem placas no pescoço para resumir sua essência: o Velho Caubói Amargurado com a Vida, a Mulher Vítima de Abusos, o Amigo Nobre e Sábio, a Filha Vítima do Descaso. Apesar de suas boas intenções, a história não chega a ir fundo nas almas dessas pessoas.
Dirigido há dois anos por Lasse Hallstrom, um cineasta em quem normalmente se pode confiar para produzir trabalhos de valor, "Um Lugar para Recomeçar" é um dos muitos filmes envolvidos na lamentável venda da Miramax, no momento em que a antiga produtora independente começou a esvaziar suas prateleiras de maneira alarmante.
O elenco forte deve lhe garantir um bom fim de semana de estréia, mas é pouco provável que o filme passe muito tempo nos cinemas se não contar com uma campanha de divulgação entusiasmada. Em última análise, porém, nem mesmo isso poderá salvar a história batida. É difícil condicionar um drama sobre quase uma vida inteira de remorsos, recriminações e tristeza a um acidente de trânsito isolado.
Muitos anos antes de a narrativa começar, Jean Gilkyson (Jennifer Lopez) estava dirigindo um carro que capotou, matando seu jovem marido. Seu sogro, Einar Gilkyson (Robert Redford), ainda a culpa pela tragédia e a odeia, como se ela fosse culpada de homicídio premeditado. Agora os dois são obrigados a se reencontrarem, contra a vontade de ambos.
Fugindo de uma relação abusiva com seu namorado (um Damian Lewis mal humorado), Jean não tem dinheiro nem para onde ir. Então ela aparece no decadente rancho de Einar no Wyoming com a neta dele, Griff (Becca Gardner). O problema é que ela nunca contara a Einar que ele tinha uma neta.
A única pessoa que fica feliz em ver as duas é Mitch Bradley (Morgan Freeman), o empregado de Einar e seu melhor amigo há 40 anos. Mitch hoje precisa de doses diárias de morfina para continuar ativo, depois de ter sido ferido por um urso. Depois de Einar ter virado alcoólatra, ele é praticamente a única pessoa que sobrou na vida do sogro de Jean.
O urso em questão também aparece no rancho, mas o xerife Crane Curtis (Josh Lucas) o captura antes que Einar possa matá-lo. Surpreendentemente, Mitch pede a Einar que alimente o animal capturado e, mais tarde, pede para libertá-lo. Deu para entender? Um dos homens sabe perdoar, o outro, não.
A trama avança de maneira previsível. A neta acaba amolecendo o coração do velho caubói irascível. Jean se envolve com o xerife bonitão, mas sua filha desaprova. Seu namorado a encontra e lhe faz ameaças. O avô machão tem uma chance de provar que o jovem agressivo não é páreo para ele, mesmo velho ¿ele espanca um bar de bêbados que molestam Nina (Camryn Manheim) num café.
Os melhores momentos do filme envolvem a interação dos dois atores mais velhos com a jovem Becca Gardner. Nas cenas que têm com ela, os dois atores parecem relaxar de verdade. Com essa exceção, os papéis restringem as atuações de todos, obrigando-os a repisar as mesmas notas o tempo todo.
Redford passa boa parte do filme resmungando, representando o velho mesquinho e mal-humorado até a exaustão, sem nunca deixar transparecer o tipo de homem que foi no passado. Jennifer Lopez parece glamourosa demais para o ambiente em que sua personagem vive.
Morgan Freeman, como agora sabemos, aproveitou esse trabalho para preparar-se para o papel que faria em Menina de Ouro (há momentos em que as brigas entre ele e o personagem de Redford lembram as que ele tinha com Clint Eastwood em Menina).
Reuters