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| Keanu Reeves vive policial que finge ser viciado em "A Scanner Darkly" |
O Homem Duplo foi feito com um processo minucioso de animação que exigiu até 500 horas de trabalho para criar um único minuto de filme na tela. A sensação de quem o vê é que cada minuto de tempo na tela devolve toda dor ao espectador.
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O lado positivo é que o filme poderá chamar a atenção do público para o romance original de Philip K. Dick, no qual é baseado, para ver exatamente o que levou os profissionais talentosos responsáveis por O Homem Duplo a perpetrar essa adaptação.
Philip K. Dick combateu os demônios da dependência de drogas durante toda sua vida criativa, e o trabalho sobre o qual se baseia o filme, A Scanner Darkly, é um de seus livros mais vendidos.
Ambientado no futuro próximo, como é de costume no autor, a história gira em torno da luta institucional contra a dependência de drogas. Um policial à paisana recebe o encargo de espionar seus amigos, e então, depois de várias voltas tortuosas da trama, o espionar a si mesmo.
A história é uma trama complexa que envolve questões como dependência, vigilância, paranóia e direitos pessoais. Infelizmente, o diretor Richard Linklater se deixa atolar nas grandes reflexões filosóficas do livro e recorre a explicações verbais, em lugar de dramatizações.
Assim, este filme animado não tem nada de animado em termos de movimentação ¿ é estático. Vemos cenas sucessivas de lengalenga verbal. Os personagens fazem discursos sentados em carros, sentados à mesa de jantar, em salas ou diante de mesas de escritórios.
O assunto de toda essa verborréia é a devastação que uma droga chamada Substância D está perpetrando na cidade de Anaheim. Infelizmente, Linklater erra mais ainda ao permitir que os atores pequem por excessos de histrionismo.
A performance mais divertida é a de Robert Downey Jr. como amigo arrogante do policial à paisana. As outras atuações são mais moderadas, especialmente a de Keanu Reeve no papel do policial. A impressão que se tem é que ele faz uma imitação de Clint Eastwood nos primeiros filmes sobre o personagem Dirty Harry.
Em termos visuais, Homem Duplo não é nada fantasmagórico, sendo pouco provável que inspire comparações com os grandes filmes de viagens mentais relacionados aos anos 1960.
As cores pastéis da fotografia parecem mais adequadas a sabonetes do que a algo que pretende captar a atenção do público de um filme. Embora evidenciem a habilidade e criatividade da equipe de animação, as cores e sombras de O Homem Duplo acabam fazendo com que os personagens da vida real mais pareçam esculturas de madeira.
Reuters