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A perspectiva de filmar a morte de George Reeves, o Super-Homem da TV, em 1959, em um longa noir de mistério, é atraente por si só, mas, apesar das ótimas atuações e da bela reconstrução da época, Hollywoodland - Bastidores da Fama fica devendo bastante a clássicos como Los Angeles - Cidade Proibida e Chinatown.
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Estréia no cinema do diretor Allen Coulter, que comandou na TV vários episódios das séries Os Sopranos e Sex and the City, o projeto consegue mergulhar na atmosfera criada pelo roteiro do também estreante Paul Bernbaum, mas há uma certa letargia no ar que impede que o filme adquira vida própria.
O longa, que chegou a se chamar provisoriamente Verdade, Justiça e o Estilo Americano, mostra a vida e a morte de Reeves através da investigação conduzida por Louis Simo (Adrien Brody), um detetive particular contratado pela mãe de Reeves (Lois Smith), que se recusa a aceitar que o filho tenha se suicidado.
Conforme Simo embarca no caso, a vida de Reeves mostra-se numa série de flashbacks, com um Ben Affleck mais gordinho no papel.
Apesar de ter conseguido um lugar em nada menos que E o Vento Levou, logo depois de fechar seu primeiro contrato com um estúdio, Reeves era só mais um ator lutando para vencer nos anos 1950 quando um certo super-herói de capa surgiu.
Antes de a série ir ao ar, o ator começa um romance com Toni Mannix (Diane Lane), uma mulher mais velha que é casada com Eddie (Bob Hoskins), o "GM" da MGM e um ex-gângster de Nova Jersey que não deixou seu passado muito para trás.
Por um tempo, George não se incomoda em ser o amante, mas quando As Aventuras do Super-Homem decola, ele troca Toni pela bem mais jovem Leonore Lemmon (Robin Tunney), uma socialite nova-iorquina e estrela em ascensão. Um ano depois, aos 45 anos, é encontrado morto em seu quarto, com um único tiro.
O detetive começa a montar o quebra-cabeça e propõe três cenários possíveis para a morte: ou foi suicídio, ou ele foi morto pela namorada Lemmon, ou então foi "apagado" por Eddie Mannix por ter magoado a mulher dele.
É claro que ninguém saberá ao certo a verdade, mas o mistério é atraente. É na execução que Hollywoodland tropeça.
As idas e vindas da investigação e dos flashbacks nem sempre são uma transição fácil e, embora Affleck se dedique ao papel, tendo até engordado nove quilos especialmente para ele, não chega a convencer como Reeves.
Há momentos muito bons no longa, mas também há equívocos, como a idéia de incluir o Reeves de Affleck, digitalmente, numa cena com Burt Lancaster na filmagem de A Um Passo da Eternidade.
As atuações chamam a atenção, como as de Brody, Lane e Hoskins. A fotografia de Jonathan Freeman combina bem com o clima decadente criado pela produtora Leslie McDonald, e o figurino de Julie Weiss é perfeito.
Reuters