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| Cena do filme |
Tenso, implacável e em alguns momentos difícil de se assistir, Babel, de Alejandro Gonzalez Iñarritu, é um drama emocionalmente devastador, em que um simples ato de bondade conduz a acontecimentos que perfuram nossa camada superficial de civilidade e acabam gerando o ruído branco do terror.
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Iñarritu e o roteirista Guillermo Arriaga envolvem seis famílias, a maioria das quais não se conhece, em quatro países e três continentes, numa história sobre destinos aleatórios e o perigo que representa a incapacidade de se comunicar.
Brad Pitt, Cate Blanchett e Gael García Bernal têm atuações engajadas, ao lado de um elenco coadjuvante experiente e de atores amadores. A história se desloca entre o Marrocos, San Diego e Tóquio.
O filme, ganhador do Globo de Ouro nesta semana, também inclui um trabalho excepcional do diretor de fotografia Rodrigo Prieto, da designer de produção Brigitte Broch, dos editores Stephen Mirrione e Douglas Crise e do compositor Gustavo Santaolalla.
Como fez em seus trabalhos anteriores, Iñarritu conta sua história empregando cenas fora de ordem, de modo que as peças se encaixam de maneira irregular que aumenta a tensão.
Tudo começa no deserto do Marrocos, onde um homem compra um rifle Winchester de seu vizinho para ajudar a manter os chacais afastados de seu rebanho de cabras. Um caçador japonês tinha dado o rifle de presente ao vizinho, em sinal de gratidão por seu trabalho como guia.
O rifle é entregue aos cuidados dos dois filhos jovens do pastor de cabras. Os garotos disparam de uma encosta de montanha contra um ônibus repleto de turistas ocidentais, apenas para ver a que distância as balas podem chegar.
Mas uma bala atinge uma americana chamada Susan (Cate Blanchett), que está viajando com seu marido, Richard (Brad Pitt), para tentar segurar o casamento deles, após a morte de um de seus filhos.
Como estão a quatro horas de distância do hospital mais próximo, o ônibus faz um desvio para chegar até um vilarejo isolado, onde um morador local oferece abrigo ao casal americano, enquanto os outros turistas discutem se ficam no vilarejo também ou se partem.
Desesperado, Richard telefona para a embaixada dos EUA, pedindo ajuda, e também para sua casa em San Diego, onde a empregada de longa data da família, Amelia (Adriana Barraza), está cuidando dos dois outros filhos do casal. Com Susan sangrando e quase à morte no meio do deserto, ele implora a Amelia que fique com as crianças, enquanto ele tenta conseguir ajuda para sua mulher.
Mas o filho de Amelia vai se casar do outro lado da fronteira mexicana, e, depois de tentar mas não conseguir outra pessoa que se encarregue das crianças americanas, Amelia decide levá-las com ela ao casamento, num carro dirigido por seu sobrinho amigável mas de temperamento esquentado, Santiago (Gael García Bernal).
Enquanto Richard luta para manter Susan viva, com a ajuda de uma idosa marroquina sábia e calma e de um veterinário, o caso dos tiros escala até converter-se em incidente internacional, com as forças de segurança acreditando que a responsabilidade foi de terroristas e partindo numa caçada aos culpados.
Enquanto isso, em Tóquio, uma jovem surda-muda chamada Chieko (Rinko Kikuchi) enfrenta a morte de sua mãe por suicídio, encara seu pai igualmente devastado (Koji Yakusho) e ainda procura lidar com as frustrações da adolescência.
Os criadores de Babel entremeiam essas histórias com muito brilho, tomando o tempo necessário para explorar os personagens e suas relações em profundidade. O suspense vai crescendo sem parar, à medida que todos os envolvidos se perdem em lugares que não compreendem, com pessoas em quem não sabem se podem confiar.
Várias sequências espantosas em Tóquio reproduzem a sensação de ser surdo-mudo, e imaginação igual é aplicada às cenas noturnas na região erma da fronteira entre México e Califórnia e nas montanhas áridas do Marrocos.
Babel não é um filme feito para despertar o medo, mas é chocante e imprevisível, embora nunca perca a compaixão.
Reuters