Há muito não se via um filme tão politicamente incorreto, engraçado e transgressor como Borat - O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Casaquistão Viaja à América. A comédia, que estréia nesta sexta-feira, faz um raio-X da cultura dos EUA, muitas vezes construída sobre aparências e que pode esconder preconceitos e falsidades.
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Borat Sagdiyev é um personagem criado pelo comediante inglês Sacha Baron Cohen, que com seu humor corrosivo já havia lidado com diversas questões polêmicas com outras criações, como Ali G, num programa da TV britânica.
Este é o primeiro filme do repórter do Casaquistão, colocando-se na fronteira entre o documental e a ficção. O filme deu a Baron Cohen o Globo de Ouro na categoria Melhor Ator de Comédia ou Musical neste ano.
Também concorre no próximo domingo ao Oscar de Melhor Roteiro adaptado, uma vez que o personagem já havia sido criado pelo comediante.
Tudo começa como brincadeira no país de origem de Borat. Quando ele viaja à América, acaba a encenação. Assim que o entrevistador começa a conviver com diversos cidadãos comuns norte-americanos nas ruas e em outros ambientes, torna-se bem claro que seu verdadeiro propósito é o esculacho. Sentindo-se ridicularizados, muitos americanos estão movendo processo contra Sacha e os produtores.
Segundo Borat, sua expedição é financiada pelo Ministério da Informação do Casaquistão, para quem o filme servirá para trazer mais cultura e educação à nação. Para eles, os Estados Unidos são o maior país do mundo porque têm "democracia e pornografia".
E assim o ingênuo repórter começa sua jornada. Em seu caminho, irão passar tipos inusitados como ativistas feministas até socialites e prostitutas - todas com muito bom coração, paciência e uma vontade para ver o rapaz transformado. Tanto que uma das madames diz, com um sorriso sincero, que em breve "ele estará americanizado".
Assim, Baron Cohen vai aos poucos expondo o jogo de aparências que sustenta a sociedade norte-americana. Num jantar sofisticado, por exemplo, ele testa a paciência e bons modos de seus anfitriões, que sempre se mostram muito educados.
Os convidados tentam engolir em seco quando o pseudo-repórter diz que uma das mulheres à mesa é feia, e até quando retorna do banheiro com suas fezes num saco plástico.
Com seu tipo escrachado e cara de tolo, Baron Cohen apresenta um humor corrosivo, sem a menor afeição ao politicamente correto. Mas diferente de outras comédias apelativas (como a série American Pie, por exemplo, Borat vai além do mero entretenimento. A sua relação com a sociedade e cultura norte-americanas beira um estudo sociológico.
Baron Cohen não poupa ninguém com seu humor. Desde judeus (ele mesmo sendo um judeu) a feministas, passando por jovens alienados e cowboys, todos são vítimas desta comédia, que culmina com um pedido de casamento à atriz Pamela Anderson - numa das melhores participações que a ex-coelhinha da Playboy já fez no cinema, embora totalmente involuntária.
Reuters