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| Cena de Senhorita Potter |
Escritores e suas obras já renderam bons frutos no cinema. Aliás, esse tipo de filme, cinebiografias que combinam a vida com o trabalho de ficção do biografado, já é quase um gênero à parte. Miss Potter também tem como tema uma escritora, e dá espaço à combinação entre fatos (de sua vida) e ficção (de sua obra).
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Nesse gênero, recentemente foram lançados As Horas, que tinha como personagem e força motriz a escritora inglesa Virginia Woolf, e Em Busca da Terra do Nunca, que retratava J. M. Barrie, criador do personagem Peter Pan.
Mas a vida da inglesa Beatrix Potter (interpretada pela norte-americana Renée Zellweger, também co-produtora do filme) não foi tão intensa como a de Woolf ou Barrie. Isso, no entanto, não justifica o frágil resultado do filme.
Ela ficou conhecida como escritora e ilustradora de livros infantis. Seu personagem mais famoso é Peter Rabbit, também conhecido no Brasil, como Pedrito Coelho.
Os textos e ilustrações de Miss Potter primam por sua graciosidade. Num contexto de literatura infantil, isso é uma qualidade. O filme, porém, quer imprimir esse mesmo tom de mundo cor-de-rosa à vida da escritora. O diretor Chris Noonan (Babe - O Porquinho Atrapalhado) procura dar a mesma graciosidade dos livros ao filme, mas o resultado acaba sendo ingênuo.
Beatrix Potter, nas telas, se transforma numa espécie de mártir do feminismo e da ecologia. Solteirona, ela vive com os pais e gosta de escrever e desenhar. Ao procurar editoras para publicar seus trabalhos, encontra finalmente dois irmãos que se interessam pelos seus originais. Mas, na verdade, o mais velho quer apenas encontrar um passatempo para o caçula.
Mas o bom trabalho do jovem editor Norman Warne (Ewan McGregor) transforma a obra num grande sucesso. De quebra, ele conquista o coração da autora. Mas como não são da mesma classe social, a mãe de Beatrix não aceita o relacionamento. Apaixonada, ela não pode viver seu grande amor. Mas, como é inteligente, consegue contornar a situação, claro.
Os momentos mais interessantes, visual e narrativamente, são aqueles em que os personagens de Beatrix ganham vida. O coelho sai do papel e vaga pelo mundo interagindo com sua criadora. Mas o diretor Noonan não dá muito espaço a esse lado menos realista do filme. Logo ele trata de trazer Beatrix para o mundo real, lembrando-a de seus problemas.
Aqui, a criação ficcional não é vista como um escapismo, um reflexo da realidade ou mesmo uma ruptura, como Virginia Woolf e sua obra em As Horas. Não existe um diálogo entre fatos da vida da escritora e suas criações. Os animalzinhos de Beatriz Potter são apenas mais uma faceta meiga de sua personalidade tão doce, ao menos, é como o filme a retrata.
Redação Terra