| Divulgação |
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| Cena do filme |
O cineasta paulista Beto Brant deixou temporariamente seu território para produzir Cão sem Dono, seu quinto filme. Desta vez, dividindo os créditos com Renato Ciasca, ele filmou em Porto Alegre a história adaptada do livro Até o Dia em que o Cão Morreu, do escritor Daniel Galera.
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Em abril, o filme foi o grande vencedor do Cine PE - Festival do Audiovisual, vencendo os prêmios de melhor filme para o júri e para a crítica e também o de melhor atriz para a estreante Tainá Muller.
Não é a primeira vez que Brant filma fora de São Paulo. Matadores (1997), seu primeiro filme, foi rodado em Mato Grosso. O segundo, Ação entre Amigos (1998), foi produzido em Minas Gerais.
Quando Marçal Aquino, escritor e parceiro habitual nos roteiros de todos os filmes de Brant, indicou o livro de Galera, um paulista que viveu em Porto Alegre, onde escreveu o livro, criou-se a oportunidade de vivenciar mais de perto a cidade, pela qual o cineasta já alimentava grande simpatia em passagens anteriores.
Hospedados na casa de um colega, o cineasta gaúcho Diego de Godói, autor do curta O Homem Sério, localizada no centro da cidade, Brant e Ciasca puderam descobri-la de perto. Andando a pé, reconheceram o ambiente onde circula o protagonista Ciro (Júlio Andrade, ator de Meu Tio Matou um Cara).
Tradutor desempregado, ele mora num apartamento quase sem móveis. Só uma cama, uma mesa na cozinha, um fogão, pouca louça e Churras, um cachorro achado na rua a quem Ciro dá muito pouca atenção.
Este universo básico, de alguém que não quer se apegar a coisa alguma, é invadido pela presença enérgica e solar de Marcela (Tainá Muller).
Modelo, bem-sucedida, independente e sexy, ela se interessa justamente pela falta de tudo isso que identifica em Ciro. Vivendo num ambiente de aparências, Marcela procura uma coisa autêntica. Ciro é isso, mas seu distanciamento tem algo de doentio.
Com uma fotografia que tira o máximo proveito de uma luz reduzida ao mínimo, conduzida com maestria por Toca Seabra (que trabalhou com Brant em O Invasor) e a ágil montagem de Manga Campion, Cão sem Dono retrata a vida de dois jovens que procuram viver o aqui e o agora como se não houvesse amanhã.
Armando-se sobre dois pólos, do sentimento amoroso e do deslocamento profissional, o filme forma um sólido retrato das angústias da nova geração.
Reuters