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| Cena do filme |
Uma das raras mulheres pertencentes ao Dogma, movimento renovador do cinema dinamarquês dos anos 1990, a diretora Susanne Bier concorreu ao Oscar de filme estrangeiro com o drama Depois do Casamento.
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Com um elenco encabeçado por Mads Mikkelsen, o vilão que chora lágrimas de sangue na aventura Cassino Royale, o filme desenvolve-se entre a Índia e a Dinamarca. Em Mumbai, na Índia, fica um orfanato, cujo administrador é o dinamarquês Jacob (Mikkelsen).
Seu rosto mostra as marcas de uma vida cheia de aventuras. Mas agora ele dedica toda a sua energia para o trabalho com órfãos indianos, com carinho especial por um menininho de 5 anos, Promod (Neeral Mulchandani).
Contra a vontade, Jacob tem de voltar à Dinamarca, que ele abandonou voluntariamente há mais de 20 anos, justamente para conseguir uma dotação capaz de salvar o orfanato do fechamento. A exigência desta viagem é do milionário Jrgen (Rolf Larsgard), que insiste em conhecer Jacob pessoalmente para fazer sua doação.
Quando Jacob chega a Copenhague, vestindo seu único e surrado terno, descobre que terá de atender a alguns caprichos do empresário, como comparecer ao casamento da filha dele, no dia seguinte.
A presença do estranho no casamento da jovem Anna (Stine Fischer Christensen) quebra a aparência de normalidade destas vidas. Jacob e Helene (Sidse Babett Knudsen), a mulher de Jrgen, descobrem no primeiro olhar que se conheceram há muito tempo.
A revelação que se produz a seguir não é do nível escandaloso de outro filme do Dogma, Festa de Família (1998), de Thomas Vinterberg. Ainda assim, tem efeito devastador, especialmente nas vidas de Jacob e Anna, únicos a ignorarem o segredo.
A direção de fotografia, a cargo de Morten Soborg, conduz uma câmera inquieta e com insistentes close-ups e ainda paga seu tributo aos princípios do antigo Dogma, construindo a atmosfera tensa entre estes personagens. Eles são jogados num furacão emocional crescente, especialmente quando se revela ainda um outro segredo.
Demonstra maturidade Susanne Bier, que já assinara os bons dramas Brothers (2004) e Corações Livres (2002), sempre em parceria com o roteirista Anders Thomas Jensen - inclusive em Depois do Casamento. O trabalho de todos os atores, inclusive da novata Stine Fischer Christensen, também merece elogios.
Reuters