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| Cena do filme |
O produtor e diretor Daniel Filho, responsável por alguns dos maiores sucessos de bilheteria do cinema brasileiro recente, realiza seu primeiro filme de época em Primo Basílio. No elenco, estão Débora Falabella, Fábio Assunção, Reynaldo Gianecchini e Glória Pires.
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Adaptando o famoso livro do escritor português Eça de Queiroz (1845-1900), lançado em 1878, Daniel Filho toma a liberdade de transpor a história do século 19 para a década de 1950. Além disso, muda o cenário da trama de Lisboa para São Paulo.
Experiências na TV Globo ajudaram o diretor nesta adaptação. Em 1988, Filho dirigiu uma minissérie sobre o mesmo Primo Basílio. A idéia de transportar a história para os anos 1950 veio de outro trabalho seu para a emissora, a série A Vida Como Ela É, baseada em histórias de Nelson Rodrigues, ambientadas entre 1951 e 1961.
Na São Paulo de 1958, é tempo de progresso. Com Juscelino Kubitschek na Presidência, prepara-se a construção de Brasília.
Nessa obra, irá trabalhar o engenheiro Jorge (Reynaldo Gianecchini), forçando-o a deixar temporariamente só sua jovem mulher, Luísa (Débora Falabella), com quem é casado há pouco tempo.
Nesse período, Luísa volta a se encontrar com seu primo Basílio (Fábio Assunção), com quem teve um namoro no passado. Sedutor, ele consegue conquistar Luísa, que termina por não resistir ao primo. Para isso, ela também recebe o estímulo da amiga Leonor (Simone Spoladore), mulher casada que se diverte com jovens estudantes do Largo de São Francisco.
Tão apaixonada fica Luísa que se torna descuidada com as cartas que escreve e recebe de Basílio, na ausência do marido. Algumas delas caem na mão de uma empregada revoltada, Juliana (Glória Pires). Mesmo ignorante, semi-analfabeta, Juliana se convence de que poderá ganhar muito dinheiro com uma chantagem.
A partir daí, a vida de Luísa transforma-se num inferno. A empregada exige, em troca das cartas, uma alta soma em dinheiro que ela não tem como pagar, ainda mais sem chamar a atenção do marido, que voltou para casa. Jorge, por sua vez, fica a cada dia mais incomodado com o desleixo da empregada, que deixa todo o trabalho pesado para Luísa.
Uma vantagem neste deslocamento da história para o século 20 está na maior liberdade permitida às cenas de sexo. Estas são filmadas com franqueza, mas sem perder a elegância. Débora Falabella convence em sua transformação de menina mimada a adulta magoada e culpada. Ao seu lado, Simone Spoladore surpreende positivamente, num papel muito diferente dos seus habituais.
Exageradamente feia, com cabelos e figurino descuidados e uma prótese nos dentes, Glória Pires corresponde a tudo o que se espera de uma vilã. Com sua ironia, cria os momentos de maior humor dentro do filme, quase todos perversos ¿ especialmente com suas tiradas cínicas contra a patroa apavorada.
Ausente do cinema desde sua participação como ator em Dedé Mamata (1988), Guilherme Fontes faz uma pequena mas importante participação como Sebastião, um amigo de Jorge e Luísa que tenta impedir a tragédia familiar. Neste período, Fontes trabalhou em novelas de TV, como Bang Bang (2005/2006), e envolveu-se na direção da cinebiografia Chatô ¿ O Rei do Brasil.
Iniciado em 1996, este filme encontra-se ainda inacabado por pendências judiciais com a Agência Nacional do Cinema (Ancine) e herdeiros do jornalista Assis Chateaubriand (1892-1968), conhecido como Chatô.
Reuters