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Filmes
Control

Título original
Control
Gênero Drama
Ano 2007
País de origem Reino Unido, Estados Unidos
Duração 121 min.
Classificação 14 anos
Língua Inglês
Cor P/B
Som Dolby
Diretor Anton Corbijn
Elenco Sam Riley, Samantha Morton, Alexandra Maria Lara
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Resenha
'Control' recria os últimos anos do roqueiro Ia Curtis
Divulgação
O cinema adora alguém que possa transformar em mártir. De heróis da História antiga a revolucionários contemporâneos, essas figuras são recorrentes. Melhor ainda se forem artistas, atormentados e morreram jovens.

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De Sylvia Plath a Kurt Cobain todos já ganharam sua cinebiografia. Por isso é de se estranhar a demora para surgir uma ficção sobre Ian Curtis, líder da banda Joy Division, que se matou aos 23 anos em 1980, pouco antes de embarcar para a sua primeira apresentação nos Estados Unidos.

Os últimos anos da vida do cantor são o centro de Control, que estréia em São Paulo e no Rio - quatro dias depois do aniversário da morte do músico.

O filme é dirigido pelo fotógrafo Anton Corbijn, que chegou a fotografar a banda pouco antes da morte de Curtis. No ano passado, o longa foi premiado na Quinzena dos Realizadores, um evento paralelo no Festival de Cannes.

A ação começa em 1973, quando Curtis (Sam Riley) é um adolescente não muito diferente dos rapazes de sua idade. Morando numa pequena cidade da Inglaterra, ele divide o tempo entre os amigos, a escola, cultuar o roqueiro David Bowie ou citar o poeta Wordsworth - cuja "Ode: Intimações de Imortalidade" ele sabe de cor.

Nada isso é suficiente para tirá-lo de sua bolha de isolamento - o que acontece apenas quando conhece Deborah (Samantha Morton, de Poucas e Boas), a namorada de um amigo com quem acaba se casando.

Curtis tinha problemas emocionais e sua arte é o reflexo claro disso. Suas composições primam pela melancolia e desesperança.

Control tenta investigar a intersecção entre a arte e a vida do personagem, ao mesmo tempo destituindo-o do posto de mito, ao procurar retratá-lo pelo lado humano.

Esse tipo de tratamento pode facilmente transformar a figura de um personagem no mártir - às vezes de uma geração inteira. Em seu favor, o diretor Corbijn e o roteirista Matt Greenhalgh desviam-se das armadilhas tão comuns nas cinebiografias.

Eles parecem compreender que a década de 1970 foi tomada pela melancolia depois do final dos anos de 1960, quando o mundo era mais colorido e alegre ¿ e que essa depressão não era exclusividade de Curtis.

Nesse sentido, as músicas do Joy Division e a fotografia num preto e branco nos tons comuns aos filmes da Nouvelle Vague são importantes para transmitir toda a sensação de claustrofobia e tristeza daquela época. A arte e a morte de Curtis em Control não são vistas como causa e efeito.

O roteiro é baseado num livro de memórias da mulher de Curtis, lançado na década de 1990, e equilibra informações sobre a vida profissional dele, como músico, e a pessoal, como marido e pai. Deborah tem o pé no chão e o pragmatismo que faltavam ao seu marido.

Depois de casado, ele ainda se envolve com uma fã, a belga Annik (Alexandra Maria Lara), e esse amor o destrói, novamente. No filme, uma das músicas mais famosas da banda, Love Will Tear Us Apart, serve de trilha para a cena em que Deborah descobre a infidelidade do marido.

Em outro momento, Curtis compõe She's Lost Control, e é quando sua mulher já está totalmente descontrolada.

As músicas do Joy Division apresentadas em Control são tocadas pela banda que está em cena ¿ e o próprio Riley faz os vocais. As regravações são competentes e a presença de palco do ator é um daqueles casos em que se recria muito bem o personagem real.

Talvez o que haja de mais sedutor em Control seja este retrato de um período. Assim, citações explodem na tela, como as referências culturais de Curtis, caso do cantor e compositor Lou Reed e do escritor J. G. Ballard (cujo livro The Atrocity Exhibition empresta o título a uma música do Joy Division).

Reuters





 
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