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| Cena do filme |
Um suposto thriller erótico que não oferece nada de quente e não causa medo algum, Deception é uma daquelas produções cuidadosas e sem vida cuja história risível gostaria de ser Instinto Selvagem mas na verdade só invoca histórias igualmente risíveis como Jade ou Invasão de Privacidade.
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Ewan McGregor, muito mal escalado, interpreta um homem tímido que se deixa fascinar por um carismático (pelo menos é isso que o roteiro diz) desconhecido, interpretado por Hugh Jackman.
Um acontecimento improvável leva a outro e enfim chega o momento em que o homem tímido revela as garras, depois de ser induzido a uma visita a um clube no qual belas mulheres usando lingerie francesa caminham de quatro como se estivessem disputando um papel em uma refilmagem de Nove e Meia Semanas de Amor.
Em determinado momento, Michelle Williams aparece, magérrima e com um corte de cabelo fabuloso, usando sapatos de saltos que derrubariam quase qualquer outra mulher. As coisas se complicam.
Dirigido pelo estreante Marcel Langenegger, cuja formação publicitária parece não ter ajudado a evitar o ritmo moroso do filme, Deception tem roteiro de Mark Bomback, que se saiu muito melhor na criação de resmungos polissilábicos para Bruce Willis no mais recente filme da série Duro de Matar.
Na forma pela qual foi escrito e dirigido Deception traz personagens ocos, pouco mais que tipos genéricos (bom sujeito, mau sujeito, loira fatal), e Langenegger faz com que eles caminhem de tomada em tomada convoluta.
O venerável diretor de câmera Dante Spinotti, cujos créditos incluem O Informante, trabalha aqui com uma paleta escura, quase monocromática, e banha os exteriores em uma luz azul metálica, escura e atraente, mas nem o seu trabalho nem o da excelente diretora e arte Patrizia von Brandenstein basta para salvar o filme dos pecados que carrega.
Nota aos fãs das estrelas permanentes: Charlotte Rampling interpreta uma das estrelas do clube de sexo, ocasionalmente seminua.
Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME
Manohla Dargis
The New York Times