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Os mistérios que existem por trás da mente humana e do casamento são a força que guia Longe Dela.
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O drama marca a estréia na direção da atriz canadense Sarah Polley (O Doce Amanhã, Minha Vida Sem Mim), e apresenta ao mundo uma cineasta jovem que dirige com a segurança de veteranos, e com a coragem de abordar um tema complexo.
A atriz inglesa Julie Christie, dona de uma reconhecida carreira de mais de 40 anos, que inclui filmes como Doutor Jivago e Em Busca da Terra do Nunca, parece ter sido redescoberta com seu trabalho nesse filme.
A interpretação lhe rendeu sua quarta indicação ao Oscar - ela perdeu para a francesa Marion Cotillard, de Piaf - Um Hino ao Amor - além de um Globo de Ouro, entre outros prêmios.
Esse merecido reconhecimento decorre da emoção que ela transmite para interpretar Fiona, uma mulher que está perdendo contato com a realidade por causa do mal de Alzheimer. Ela começa a fazer coisas estranhas, como não encontrar o caminho de casa ou guardar uma frigideira no freezer.
"Parece que estou sumindo aos poucos", confessa. E seu casamento com Grant (Gordon Pinsent, de "Chegadas e Partidas") segue o mesmo caminho.
O roteiro - assinado pela diretora e indicado ao Oscar - utiliza a mesma narrativa fragmentada do conto The Bear Came Over the Mountain, de Alice Munro, no qual é baseado. Por isso, depois que Fiona já está internada numa clínica onde receberá os devidos cuidados, descobre-se que o casamento que parecia tão perfeito escondeu algumas mentiras ao longo dos anos.
Em alguns momentos, em suas visitas diárias, Grant desconfia de que Fiona possa estar fingindo, apenas para puni-lo por aventuras do passado. E ela acaba se "apaixonando" por Aubrey (Michael Murphy), outro paciente da clínica que vive numa cadeira de rodas e não consegue falar. Essa nova amizade desperta ciúme, sentimento que parece nunca ter existido, em Grant.
Aubrey, descobre-se, também é casado e a mulher dele (Olympia Dukakis, de Eu e as Mulheres) não gosta muito do que está acontecendo entre ele e Fiona, para quem a perda do "novo namorado" pode ser extremamente dolorosa. Caberá a Grant um ato de extremo altruísmo para preservar sua mulher.
Com um tema tão pesado e calcado exclusivamente nos personagens, Longe Dela poderia facilmente transformar-se num dramalhão choroso e superficial. Mas a canadense Alice Munro não é uma escritora dada a esse tipo de tratamento. A força de suas histórias está nos detalhes e nas sutilezas dos relacionamentos humanos. E é exatamente nisso que Sarah procura destacar no filme.
Longe Dela é um filme que fala sobre amor e casamento com honestidade pouco vista no cinema nos últimos tempos. Cercada por um elenco competente, Sarah Polley faz uma estréia promissora direção com um filme inteligente e ao mesmo tempo sensível.
Reuters