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Cinqüenta anos após sua estréia como diretor, em A Sina do Aventureiro (1958), José Mojica Marins volta às telas com Encarnação do Demônio, filme que encerra a trilogia de seu clássico personagem, o Zé do Caixão.
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Filme que demorou 42 anos para ficar pronto - a idéia e o primeiro roteiro são de 1966, Encarnação do Demônio é o longa mais violento e perturbador de Mojica, com cenas de tortura bastante realistas, que chegam a incomodar os espectadores mais sensíveis.
Na "fita", como Mojica gosta de chamar seus filmes, o coveiro Josefel Zanatas, conhecido por Zé do Caixão, passa 40 anos preso. Ao fim da pena é colocado em liberdade e volta a cometer crimes em parceria com o fiel serviçal, o corcunda Bruno, e um grupo de seguidores que passa a servi-lo para que consiga seu objetivo: encontrar a mulher perfeita para gerar seu filho, que seria a própria encarnação do mal na Terra.
Ele passa a ser perseguido pela polícia e pelos moradores do bairro onde instala seu esconderijo enquanto submete suas pretendentes às mais diversas práticas de sadismo, que incluem tortura com insetos, espancamentos e canibalismo.
O longa impressiona primeiro pela qualidade. Se antes os filmes de Mojica eram feitos com baixíssimo orçamento, o que lhe deu o ingrato título de "diretor trash", em Encarnação do Demônio o diretor se utiliza muito bem de efeitos e maquiagem muito realistas, que servem para ilustrar sua sádica saga.
Se as cenas já assustavam nos filmes em preto-e-branco do passado, agora com toda a produção e efeitos, incomodam muito mais. Na exibição para os jornalistas, realizada em São Paulo nesta segunda-feira, muitos afirmaram que se sentiram desconfortáveis, principalmente em uma cena onde um rapaz é erguido por ganchos espetados em suas costas.
Além de Mojica como protagonista, o filme conta com belas atuações de Milhem Cortaz (que vive um padre que deseja vingar a morte do pai), Zé Celso Martinez Corrêa, interpretando um anjo-demônio no Purgatório e Jece Valadão, como o obcecado Coronel Claudiomiro Pontes - no último papel antes de sua morte, em novembro de 2006.
Redação Terra