Grande vencedor do Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade de 2008, Pan-Cinema Permanente, do diretor paulista Carlos Nader, mostra algumas das muitas faces do poeta e compositor baiano Waly Salomão (1943-2003).
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Filho de pai sírio e mãe baiana, Salomão chegou a estudar Direito, mas desde a adolescência foi fisgado pela poesia. Seu primeiro livro foi publicado em 1971, Me Segura que eu Vou Dar um Troço. Não parou mais na carreira literária, vencendo o prêmio Jabuti, em 1997. Em 2003, tornou-se Secretário do Livro e da Leitura do Ministério da Cultura, na gestão de seu amigo Gilberto Gil.
Amigo e biógrafo do artista plástico Hélio Oiticica, Salomão aproximou-se dos tropicalistas no final dos anos 60, tornando-se um dos compositores preferidos das cantoras Gal Costa e Maria Bethânia e parceiro de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Jards Macalé - com quem escreveu as canções Vapor Barato e Mal Secreto, que seu tornaram sucesso na voz de Gal.
Entre outras músicas famosas, estão Mel e Talismã, com a co-autoria de Caetano e gravadas por Maria Bethânia, e Luz do Sol, parceria com Carlos Pinto.
Fazendo justiça à personalidade inquieta de seu biografado, Pan-Cinema Permanente recolhe suas manifestações de várias fontes, como as dos filmes em que ele atuou, Quilombo (84), de Cacá Diegues, e Gregório de Mattos (03), de Ana Carolina.
A maioria das imagens inéditas, que registram saborosas conversas com Salomão em viagens, são fruto da ampla convivência do diretor Nader com o poeta e compositor, que o filmou ao longo de 15 anos.
Também são entrevistados amigos do poeta, como o próprio Caetano, Antônio Cícero - com quem Salomão escreveu as letras do disco Zona de Fronteira, de João Bosco -, Gilberto Gil e seus filhos, Omar e Khalid Salomão.
O documentário registra algumas seqüências especialmente engraçadas, como a participação de Salomão num programa de TV síria onde, entre inglês e português, o poeta confunde seu entrevistador, que procura manter as regras do jogo.
Salomão morreu vítima de câncer no fígado, aos 59 anos, no Rio de Janeiro, em maio de 2003.
Reuters