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Filmes
Sinédoque, Nova York
Título original
Synecdoche, New York
Gênero Drama
Ano 2009
País de origem Estados Unidos
Distribuidora Imagem Filmes
Duração 124 min.
Classificação 16 anos
Língua Inglês
Cor Colorido
Diretor Charlie Kaufman
Elenco Michelle Williams, Philip Seymour Hoffman
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Resenha
Ligação entre arte e mundo real instiga em 'Sinédoque'
Divulgação
Alguns artistas sonham em capturar o mundo real em sua obra. Outros pensam em inventar seu próprio mundo. Sinédoque, Nova York, em cartaz em São Paulo, Rio e Brasília a partir de sexta-feira, ambiciona as duas coisas -- e consegue cumprir sua promessa na maior parte do tempo.

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O premiado roteirista Charlie Kaufman (Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças, 2004) faz aqui sua estréia na direção, escrevendo também o roteiro e condensando na história todas as suas obsessões com metalinguagem e pós-modernidade.

Sinédoque, Nova York é muito mais do que a figura de linguagem presente no título -- na qual, entre outras coisas, a parte representa o todo. É um filme que pode ser visto como uma releitura do clássico felliniano 8 ½ -- embora Kaufman tenha afirmado, numa entrevista após a première mundial do filme, no Festival de Cannes 2008, que desconhece o longa italiano.

No filme de Federico Fellini, de 1963, o protagonista (Marcello Mastroianni) era um cineasta em crise criativa. Na história de Kaufman, trata-se de um diretor de teatro (Philip Seymour Hoffman, de Capote), tentando criar sua obra-prima, a peça que deixará seu nome na história.

A obra toda de Kaufman, que também inclui roteiros como Quero Ser John Malkovich (1999) e Adaptação (2002), ambos dirigidos por Spike Jonze -- que assina a produção aqui -- busca uma relação entre o que há dentro da cabeça dos personagens e a forma como esses pensamentos, desejos, frustrações se materializam.

Dessa vez, o foco cai sobre Caden Cotard (Philip Seymour Hoffman), o dramaturgo neurótico, casado com uma mulher tão atormentada quanto ele (Catherine Keener, de Na Natureza Selvagem), e cuja filha pequena é a soma exata das neuroses dos pais. As pessoas que cercam o protagonista também parecem sofrer de males emocionais, como a psiquiatra egoísta (Hope Davis, de Confidencial), que só pensa em transformar seu novo livro em best seller.

Nesse momento, Caden dirige A Morte do Caixeiro Viajante -- com o diferencial de colocar atores jovens no papel dos idosos que protagonizam a peça de Arthur Miller. Anos mais tarde, quando ganha um prêmio para a montagem de uma peça, o diretor decide escrever um texto sobre a vida, mas não uma representação da vida, mas, sim a vida própria, acontecendo em cima do palco.

Para a empreitada, conta com a ajuda de sua nova amada, Hazel (Samantha Morton, de Control), e da atriz Claire (Michelle Williams, de Não Estou Lá), entre outros. Mas Caden ensaia a peça por anos a fio, porque, como na vida, não consegue chegar a uma conclusão. A cada dia, acrescenta-se uma nova camada, uma novidade, um novo personagem -- e estes, assim como o diretor, envelhecem no palco, situado num grande galpão, um verdadeiro simulacro de Nova York, e, por extensão, da realidade.

Para interpretar a si mesmo na sua peça, Caden escolhe um ator (Tom Noonan) completamente diferente de si. Para o papel de 'Hazel', no entanto, coloca uma atriz (Emily Watson, de O Dragão Vermelho) muito parecida com a verdadeira. As vidas dessas quatro pessoas se cruzam e se confundem à medida em que o dramaturgo se torna o Deus de seu próprio mundo. Tudo isso até a chegada de uma nova personagem, vivida por Dianne Wiest (de Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada).

Sinédoque, Nova York é uma experiência cinematográfica estranha -- no bom ou no mau sentido, dependendo da disposição e do interesse do espectador. É inegável, no entanto, que se trata de uma tentativa de fazer um cinema inteligente e instigante, longe das banalidades explosivas e escapistas nas quais Hollywood se acomodou.

Kaufman pode ainda não ter o domínio da técnica de outros cineastas que dirigiram roteiros seus - como Spike Jonze e Michel Gondry. Mesmo assim, o roteirista se mantém um provocador costumaz, rompendo limites entre a arte e a vida, o real e o imaginário.

Reuters





 
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