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Uma Thurman em Kill Bill, novo filme de Tarantino |
Quentin Tarantino continua sendo uma criança. Doze anos depois de sua estréia como diretor, com Cães de Aluguel (1992), ele ainda não fez um filme totalmemte maduro, livre das influências de sua juventude, como produções B, longas de blaxploitation e seriados de TV. Será que Tarantino nunca vai dirigir um filme sério, adulto, digno de alguém com mais de 40 anos, como ele? Tomara que não.
Fiel ao seu retrospecto, Tarantino realizou Kill Bill: Vol.1, um dos melhores e mais divertidos filmes de ação dos últimos anos. É a primeira parte de uma saga de quatro horas, cuja segunda metade já é um sucesso absoluto nos Estados Unidos. Kill Bill é uma mistura de filmes de artes marciais, faroestes spaghetti, mangás e animes japoneses, recheada com muita violência e referências à cultura pop que consagraram o estilo do diretor em Pulp Fiction (1994) e Jackie Brown (1997).
A figura central do filme é a Noiva, personagem de Uma Thurman. Ela é uma assassina profissional que busca vingança contra seus antigos colegas O-Ren Ishii (Lucy Liu), Vernita Green (Vivica A. Fox), Budd (Michael Madsen) e Elle Driver (Darryl Hannah). Quatro anos antes, eles haviam a espancado, grávida e à beira do altar, supostamente até a morte, mas como milagre ela sobreviveu. O alvo principal da Noiva é Bill (David Carradine), seu antigo chefe, amante e pai da criança.
Kill Bill é pura ação e divertimento: fazer análises mais sérias e profundas seria uma demasia, algo até indigno frente ao espírito do filme. Do começo ao fim, o tom é de exagero e sátira, seja no visual colorido, na imensa quantidade de sangue derramado ou na trilha sonora - esta sempre uma atração à parte, feita de temas de seriados (Besouro Verde e Ironside) e artistas de valor discutível (Nancy Sinatra e Santa Esmeralda).
Também seguem a mesma linha de pastiche as espetaculares cenas de luta - coreografadas por Sonny Chiba, que tem uma participação no filme, e Yuen Woo Ping, criador dos combates de O Tigre e o Dragão e da trilogia Matrix. A briga final, em que a Noiva enfrenta O-Ren Ishii e sua gangue, é particularmente hilária e violenta.
Duas outras marcas registradas de Tarantino marcam presença em Kill Bill. Uma são as quebras na narrativa, que faz idas e vindas no tempo, contando a origem de alguns personagens e revelando parte dos seus conflitos. No caso da personagem de Lucy Liu, sua história é narrada através de um impressionante desenho anime. Outra característica é a fusão de estilos na direção, que é inspirada tanto no cinema de ação de Hong Kong, quanto nos westerns do mestre italiano Sergio Leone, ou nos mangás japoneses.
Por ser a primeira metade de uma saga maior, Kill Bill: Vol.1 não responde a todas as questões levantadas na trama: como a Noiva se tornou uma assassina? Por que Bill a mandou matar? Que fim teve sua filha? Espera-se que tudo se resolva no segundo filme. Por enquanto, tudo que o espectador tem a fazer é aproveitar a ação saída da cabeça imatura e genial de Quentin Tarantino.
Redação Terra / Rafael Spuldar