
- Juliana Ranciaro
Realizado entre os dias 15 e 19 de julho, o Los Angeles Brazilian Film Festival, festival que dá oportunidade para o cinema brasileiro no exterior, recebeu famosos e cineastas que se empolgaram em mostrar suas produções para outro público.
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Em conversa com o Terra por telefone, Nazareno Paulo, um dos organizadores e fundadores do evento, contou sobre o início do projeto e sobre como surgiu a ideia de dar espaço a essas produções. Feliz com a repercussão da 5ª edição do evento, ele pondera e afirma que ainda falta muito, principalmente em relação a incetivos e recursos.
Terra - De onde surgiu a ideia de fazer um festival de cinema brasileiro no exterior?
Nazareno Paulo - O Los Angeles Brazilian Film Festival (LABRFF) foi fundado em 2007, em parceria com a produtora Meire Fernandes, a partir da constatação de que no cinema americano havia espaço para filmes brasileiros. Trabalhei muito tempo com programação de eventos de cinema e via que neles existia espaço para filmes brasileiros e que o público gostava e se identificava com eles. Além disso, um fator importante foi a vontade dos próprios brasileiros de divulgarem seus trabalhos nos Estados Unidos, que sempre foi um pólo cinematográfico. Existem muitas pessoas também no exterior que filmam curtas, por exemplo, e não tinham espaço para mostrar essas produções. O objetivo do LABRFF é colocar essa gente em contato direto, justamente por ser um festival voltado para a indústria do cinema, para motivar o mercado brasileiro a movimentar suas produções.
Terra - Como é a recepção do público em Los Angeles?
Nazareno - O LABRFF tem dois tipos predominantes de público, o que mostra que a recepção não poderia ser melhor. Primeiramente, existem os aficcionados por cinema, que buscam entretenimento puro e comprovam que os brasileiros sabem fazer cinema. Essa reação boa por parte do público se torna um incentivo e abre espaços para novos talentos, tanto na direção quanto na atuação ou produção. Outro público do evento é formado por executivos da Fox, Warner, Universal, Lionsgate e outras empresas que buscam conteúdo para o cinema. Essas grandes marcas querem adquirir filmes e querem saber o que os brasileiros estão fazendo em relação a gêneros e conteúdos. Alessandra Negrini foi uma atriz que se destacou com o filme Dois Coelhos na edição deste ano e até recebeu propostas de trabalho no exterior, mas não pode aceitar por já estar engajada em outros projetos.
Terra - Como acontece a seleção dos filmes participantes?
Nazareno - Existe uma curadoria de produtores e amigos que estão há muitos anos trabalhando juntos para buscar o melhor do cinema brasileiro. A procura se baseia em filmes que foram bem na crítica, nas bilheterias e que foram bem feitos. Todo o trabalho é com foco na indústria, por isso, não é um cinema amador, mas sim, um cinema para profissionais, ou estudantes de cinema também. Não procuramos filmes com enredo de novelas porque isso não agrada nos Estados Unidos, por exemplo. É uma busca certeira.
Terra - Este ano, qual foi o grande destaque em relação ao gosto popular?
Nazareno - Foram exibidos 40 filmes, 20 curtas e 20 longas. Dentre eles, Dois Coelhos, do diretor Afonso Poyart, foi um grande sucesso e os norte-americanos adoraram esse formato de produção, que amplia o limite da cinematografia e mistura animação com ação.
Terra - Existe a ideia de ampliar o festival?
Nazareno - Existe principalmente o desejo e o objetivo de ter uma empresa brasileira privada para colocar algum recurso no LABRFF, para que possamos fazer muito mais e acabar também gerando oportunidades de emprego, tanto na produção de mídia, quanto para jornalistas e fotógrafos, por exemplo. Muitas pessoas trabalham até mesmo voluntariamente no festival e dedicam seu tempo a isso porque reconhecem a importância deste ideal e gostariam de ver o evento com mais alcance.
Terra - Como foi a movimentação do tapete vermelho nesta edição do LABRFF?
Nazareno - Além de diretores, produtores e atores brasileiros que estavam nas produções exibidas, como é o caso da Alessandra Negrini e da Fernanda Machado, passaram pelo tapete vermelho algumas estrelas de Hollywood. Entre eles, Terrence Howard, Camilla Belle, Juliette Lewis e Andy Garcia. Outro destaque foi Dr. Rey, que acompanhado da mulher, Hayley Rey, fez bastante sucesso em sua passagem.

