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A superprodução O Código Da Vinci recebeu o tipo de publicidade que nenhum dinheiro consegue comprar graças a declarações proferidas por um cardeal, um arcebispo, um juiz e incontáveis historiadores e teólogos, entre outros personagens da vida real.
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O burburinho que antecede o lançamento de grandes produções de Hollywood é normal. Mas, no caso da busca de Dan Brown pelo Santo Graal, as manchetes acabaram sendo tomadas por eventos aparentemente distantes do controle dos estúdios Sony Pictures.
Estrelas como Tom Hanks e Audrey Tautou têm se mantido afastadas dos holofotes da mídia às vésperas da estréia do filme, no festival de Cannes, em 17 de maio. No lugar deles, o Vaticano protestou contra o romance e, agora, contra o filme. Os protestos culminaram com o pedido de um cardeal a favor de uma ação judicial em torno de uma história que apresenta Jesus casado com Maria Madalena, começando uma família que teria descendentes vivos ainda hoje.
A Opus Dei - um grupo católico apresentado na ficção de Brown como uma seita responsável por uma conspiração de assassinato voltada a esconder a verdade sobre Jesus e seus descendentes - exigiu a colocação de um aviso no filme esclarecendo que se tratava de ficção. Nesta semana, uma importante autoridade das Filipinas, um país majoritariamente católico, pediu que o governo proibisse a exibição da película.
Analistas afirmam que tais declarações, e as histórias geradas por elas, são tiros fadados a sair pela culatra, gerando um interesse ainda maior pelo filme e dando respaldo ao argumento de que a Igreja tem algo a esconder.
Clones do Código
Como era de se esperar, a polêmica em torno de O Código Da Vinci deixou em polvorosa as caixas registradoras. A "Da Vinci S/A", uma indústria já bilionária, deve expandir-se ainda mais com o lançamento do filme.
Mais de 40 milhões de cópias do romance foram vendidos até agora no mundo e os trabalhos anteriores de Brown também se transformaram em best-sellers. Dezenas de "clones do código" chegaram às prateleiras das livrarias. Alguns tentam derrubar as teorias defendidas no livro. Outros buscam repetir a bem-sucedida fórmula de mistério teológico e história envolvente.
"O Código Da Vinci criou seu próprio genro editorial de uma forma que nenhum outro livro fez até hoje", disse Katherine Rushton, da empresa Bookseller. "Há tantos livros do tipo... Os leitores reconhecem que se trata de um fenômeno de publicação de coisas parecidas, mas esses livros continuam vendendo".
O único fenômeno comparável a esse é J.K. Rowling e sua série sobre Harry Potter. Os primeiros seis livros da série venderam mais de 280 milhões de cópias e os primeiros três filmes baseados nela faturaram US$ 3,5 bilhões. Há um jogo de tabuleiro e videogames inspirados no livro de Dan Brown. E sites que tratam do assunto registraram um aumento no número de visitantes.
Até os advogados estão faturando. As custas de uma ação de plágio movida por dois historiadores contra o editor de Brown na Grã-Bretanha foram estimadas em 2,8 milhões de dólares. A batalha judicial, que contou com um testemunho do escritor e que terminou com a vitória dele, recolocou o livro nas manchetes. E, para não fugir do padrão, o juiz do caso desferiu outro "golpe publicitário" ao incluir na sentença seu próprio "código ao estilo Brown".
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