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Dezoito anos depois de fazer corações dispararem ao dançar nua em uma floresta em A Vingança de Manon, Emmanuelle Béart novamente seduziu um cinema lotado na sexta-feira. Aclamada tanto como uma das maiores atrizes francesas quanto por sua beleza, Béart realiza uma interpretação magistral como uma mãe de dois filhos que foge da invasão nazista na França em 1940 em Les Egares, um dos 20 filmes que concorrem à Palma de Ouro em Cannes. "É um personagem fascinante", disse Béart, 37, que posou nua na capa da edição de maio da revista Elle francesa, que rapidamente se esgotou nas bancas. Considerada um símbolo sexual na França, onde é também uma ativista política e social, Béart disse que se inspirou em sua avó para o papel em Les Egares, dirigido pelo renomado francês André Techiné. "Minha avó passou por tudo isso, viajando sozinha com seus filhos. Sua experiência e a força interior que ela teve me ajudaram na preparação", contou a atriz em entrevista à imprensa. Techiné baseou seu filme no romance de Gilles Perrault sobre o êxodo de civis para o sul da França nos tempos de guerra. A história, ambientada no vale do Loire, mostra a mãe e seus filhos reunindo-se com um adolescente de 17 anos em sua fuga dos bombardeios aéreos alemães. A família passa a morar em uma casa de campo abandonada, isolados do mundo, e se tornam cada vez mais dependentes do jovem misterioso, que caça coelhos para a alimentação. O filme, uma das cinco produções francesas na disputa, é comovente com laivos de forte suspense. "Nasci naquela época, então o filme diz respeito ao que ocorreu durante a minha infância. Fiz muita pesquisa, mas usei a pesquisa para descrever coisas que não aparecem nas estatísticas", explicou Techiné, um "habitué" do festival. "O tempo, para essas pessoas, está suspenso. As circunstâncias incomuns podem levar a experiências muito singulares."
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