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Depois de sediar a estréia de blockbusters, no sábado o Festival de Cinema de Cannes passou a fazer o que faz melhor: exibir filmes de arte em diversas línguas que não são o inglês.
O júri assistiu ao filme turco Uzak (Distant), um estudo contundente sobre como a vida familiar de um homem passa por um tumulto quando um primo desempregado se muda para sua casa, acabando com sua privacidade, e ao italiano Il Cuore Altrove (Um Coração em Outro Lugar), um drama comovente, ao mesmo tempo doce e amargo.
Cannes é conhecida principalmente por dar destaque a filmes estrangeiros de viés intelectual, mas o glamour do festival é dado pela presença de astros e estrelas de Hollywood que vão a Cannes para promover filmes de grandes orçamentos.
Celebridades como Keanu Reeves, Monica Bellucci e Penelope Cruz atraíram todas as atenções no início do festival 2003, com a exibição do capa e espada Fanfan La Tulipe, que recebeu críticas mornas, e a ficção científica The Matrix Reloaded, ambos fora da competição.
As estrelas britânicas Julie Walters e Helen Mirren roubaram as atenções na sexta-feira ao promover um filme sobre um grupo de mulheres de meia-idade que posam nuas para um calendário produzido para levantar fundos para o combate ao câncer.
No fim de semana, alguns talentos menos conhecidos já estavam vindo à tona, enchendo o Palais des Festivals com uma cacofonia de persa, italiano e turco e levando imagens belíssimas à tela.
Uzak, de Nuri Bilge Ceylan, é um filme que atrai o espectador para dentro da vida de um fotógrafo de Istambul, usando cenas longas e detalhadas com pouco ou nenhum diálogo.
Muzaffer Ozdemir brilha no papel principal, de um fotógrafo cansado da vida, e, embora esteja longe de ser uma comédia, o filme é pontilhado de momentos hilários. "Vejo muito humor em coisas que, na realidade, são muito trágicas", disse Ceylan, que rodou o filme em seu próprio apartamento.
"É sobre o vazio da vida na grande cidade. As pessoas organizam suas vidas de modo que não precisem de mais ninguém, e, de certa forma, criam suas próprias prisões. Você não pega nada de ninguém e também não dá nada", disse ele aos jornalistas.
Também foi exibido no sábado Il Cuore Altrove, de Pupi Avati, ambientado em Bolonha nos anos 1920 e que já está fazendo sucesso na Itália. É a história emotiva de um solteiro tímido que é seduzido por uma 'femme fatal' que adora flertar e recentemente ficou cega.
Eles se encontram em bailes semanais que antigamente eram promovidos por um lar para cegos na cidade natal de Avati.
"Acho que é um tipo de cinema que o público maior gosta", disse Avati. "Meu filme não deixa as pessoas indiferentes", acrescentou.
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