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Dois filmes superficiais procedentes dos Estados Unidos e da França, apresentados neste domingo na competição oficial do Festival de Cannes irritaram parte da crítica que os considerou de qualidade discutível para estarem presentes em um dos eventos cinematográficos mais importantes do mundo.
O mais criticado pelos profissionais foi o americano Elephant, de Gus Van Sant, que propõe um incoerente drama sobre a violência que de tempos em tempos assola institutos educacionais de seu país.
A fita francesa, Swimming pool, de François Ozon, é uma banal investigação sobre o processo de criação de uma escritora, com um roteiro muito pobre e uma interpretação aceitável de Charlotte Rampling e da jovem Ludivine Sagnier.
De Elephant, o único ponto interessante que se pode comentar é a origem do título, que se baseia numa antiga parábola budista do século II antes de Cristo. Um grupo de cegos examina um elefante. Cada um deles investiga apenas uma parte do animal, a que está mais próxima.
Para os que estudam as patas, por exemplo, o elefante é uma árvore, para os que tiveram em suas mãos a cauda, é uma corda, e assim sucessivamente.
O diretor americano escolheu este título para mostrar que o problema da origem da violência nessas escolas é algo difícil de se identificar e que depende do ponto de vista com que é observado.
No entanto, o filme não oferece nenhuma informação relevante para tentar desvendar a causa dos assassinatos que volta e meia ocorrem em colégios dos Estados Unidos.
A câmara segue vários estudantes que entram no edifício, documenta seus movimentos, suas conversações, suas atividades escolares. Todas estas ações são excessivamente demoradas e confusas, já que os pontos de vista e os tempos em que ocorrem mudam com frequência.
O resultado é um filme chato e previsível que ignora a sutileza e tenta mostrar, em última instância, que o terrorismo que os Estados Unidos procuram combater fora de suas fronteiras está, na realidade, dentro delas.
Os atores, não profissionais, cumprem seu trabalho sem grande entusiasmo.
Além deste longa-metragem, Van Sant dirigiu outros dez, alguns com sucesso de público e de crítica, como My Own Private Idahao, em 1991 e Drugstore Cowboy, em 1989.
A fita francesa, por outro lado, tem uma estrutura mais sólida, mas possui um roteiro fraco. Os diálogos são de uma superficialidade pasmosa e a história em si tem pouco interesse e originalidade.
Apresenta os conflitos entre uma escritora inglesa, que vai para a casa de veraneio na França emprestada por seu editor para que possa descansar e trabalhar, e a filha adolescente do editor, que chega sem avisar à casa.
Para o diretor, este conflito é secundário. O importante, segundo disse depois da exibição, foi "refletir sobre o processo criativo".
O resultado desta "reflexão", no entanto, não fica muito claro. O assunto se delineia mas não há solução. Em outras palavras, fica como uma simples pergunta.
A única coisa que se mostra é que a escritora não vacila em copiar partes do diário da filha do editor para a romance que esta escrevendo e que também inclui partes da realidade que a envolve.
"Tentei tratar o imaginário de maneira realista -confessou Ozon-, e que o fantástico e o real estivessem num mesmo nível. Acredito que quando encontramos algo, tudo se mistura rapidamente".
"Contando e filmando uma história -acrescentou-, o processo de identificação com os personagens é tal que entramos totalmente em sua lógica e em seus sentimentos. É como se sentíssemos as mesmas emoções que eles. Nos processos criativos, as coisas nunca são simples".
Este é o sexto longa-metragem de Ozon, diretor francês nascido em Paris, em 1947, com oito curta-metragens em sua filmografia.
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