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| Cena de Segundas-feiras ao Sol |
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O esperado frio da Serra Gaúcha foi menor do que os termômetros prometiam e a primeira noite do 31º Festival de Gramado - Cinema Brasileiro e Latino, na segunda-feira, acolheu a platéia com um clima por volta de 10 graus Celsius, o que ajudou a esquentar ainda mais a competição dos longas-metragens da seção latina da mostra.
Se depender de consagração, o filme espanhol Segundas-Feiras ao Sol, de Fernando León de Aranoa, é um forte candidato ao Kikito da competição latina.
A resposta do público no Palácio dos Festivais foi tão avassaladora que parece difícil para os concorrentes superá-la. E os méritos do filme, com um elenco liderado por Javier Bardem, deixaram muito claras as razões que levaram a Espanha a preferir indicá-lo ao Oscar de filme estrangeiro este ano contra a unanimidade que cercava Fale com Ela, de Pedro Almodóvar.
A produção dirigida por Aranoa - que foi apresentada pela primeira vez no Brasil e já tem distribuição garantida pela Pandora Filmes - mergulha nos dramas pessoais de um grupo de estivadores desempregados.
Santa (Javier Bardem) é um tipo orgulhoso. Além de não ter nenhuma fonte de renda fora o seguro-desemprego e de passar seus dias bebendo no bar como os amigos, ele tem um problema a mais: está sendo processado pelo estaleiro por ter quebrado uma lâmpada, o que vai lhe custar oito mil pesetas.
Não é que a quantia seja exorbitante, mas não pagá-la é uma questão de honra para ele.
Neste filme, o humanismo que encharca os personagens e os torna pessoas verossímeis, de carne e osso, predomina contra o discurso político e dá ao longa a espetacular força que ele tem para mover a platéia.
Um dos aspectos mais peculiares está no humor ríspido, afiado como navalha, que lembra muito Meus Caros Amigos e Quinteto Irreverente, de Mário Monicelli.
Outro segredo está num roteiro muito bem-amarrado e conciso, assinado pelo diretor Leon de Aranoa e por Ignazio Del Moral.
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