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Se a resposta entusiasmada da platéia ao filme espanhol Segundas-Feiras ao Sol garantiu animação na abertura do 31º Festival de Gramado - Cinema Brasileiro e Latino, na segunda-feira, o longa-metragem brasileiro De Passagem, do paulista Ricardo Elias, teve recepção morna.
O público do Palácio dos Festivais sentiu pelas frestas que a temperatura caía do lado de fora, assim como dentro da sala de exibição o clima ficava mais ameno com a apresentação do primeiro competidor brasileiro da mostra.
Estreante na direção de um longa-metragem de ficção, Ricardo Elias, que até então havia dirigido apenas o documentário Um Filme de Marcos Medeiros e três curtas-metragens, ficou devendo em maturação de roteiro e até numa maior ousadia visual de sua história.
De Passagem fala de três amigos, dois deles irmãos, que nascem e crescem numa periferia da cidade de São Paulo, mas tomam destinos bem diferentes.
Com vários flashbacks que mostram os três ainda meninos, o foco narrativo principal acompanha o soldado Jéferson (Sílvio Guindane), que volta para casa depois de ter sido avisado sobre a morte de seu irmão, Washington.
Quem decide ir com ele no reconhecimento do corpo é o amigo de infância Kennedy (Fábio Nepô). Os dois se perdem pela cidade, num sobe-e-desce de trens que a partir de certo momento perde o sentido e se torna excessivo.
Parece que o diretor não sabia muito bem onde colocar os seus personagens, uma que a intenção de mostrar a cidade despossuída, além de um certo estranhamento entre os dois, já estava definida.
O público presente ao Palácio dos Festivais até aplaudiu o filme educadamente, sem entusiasmo. Talvez em outro momento do cinema brasileiro a resposta fosse melhor. Mas, depois de Cidade de Deus, Carandiru e O Invasor o público nacional já adquiriu novos padrões para o próprio cinema.
Boa seleção de cenas - A seção de curtas-metragens teve uma abertura bem melhor. O primeiro concorrente apresentado foi a produção cearense Águas de Romanza, das diretoras Gláucia Soares e Patrícia Baía.
Adaptando para a tela um conto do autor Eugênio Leandro, o filme adota um tom de realismo mágico para contar a história de uma avó no sertão nordestino que deseja atender ao sonho de Romanza, sua neta de 6 anos, de conhecer a chuva.
A menina cresceu entusiasmada com as histórias da avó, que lhe diz que a chuva cai à terra quando São José lava o céu para uma festa. E a única possibilidade de atender ao desejo de Romanza é a passagem de um caixeiro-viajante. Bela fotografia e montagem são pontos altos deste curta.
O segundo concorrente foi Castanho, do carioca Eduardo Valente - uma produção mostrada pela primeira vez na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes, em maio passado -, inspirado na crônica Ponto de Vista Masculino, de Mário Prata.
O filme é um contraponto divertido à obsessão pela boa forma e tudo gira em torno de uma gordinha (Isabel Pacheco) que decide internar-se num spa. No caminho, ela pára numa loja de salgadinhos e lembranças e descobre um macaquinho que assobia toda vez que alguém passa na frente dele.
Ela compra o macaquinho e o brinquedo vira o maior estimulador da auto-estima das gordinhas do spa, já que ele nunca falha em seu "fiu-fiu" para nenhuma delas.
O último curta da noite foi a animação Terminal, do paulista Léo Cadaval. É um interessante trabalho em preto-e-branco, bastante sombrio, que reconstitui a viagem mental de um homem em coma baleado por um pivete.
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