|
Na segunda noite do Festival de Gramado, a normalmente bucólica cidade ao Sul do país viveu um princípio de escândalo e suas primeiras vaias por conta do diretor paulista Dennison Ramalho, autor do curta-metragem Amor Só de Mãe.
Subindo ao palco com sua numerosa equipe, o diretor veio com um discurso pronto e recheado de palavrões. Imbuído de um espírito provocador um tanto adolescente, Ramalho desancou a platéia.
Em seguida, apresentou a atriz do filme, Débora Muniz - que identificou como musa de José Mojica Marins, o Zé do Caixão - e garantiu que ela tinha 32 trabalhos no currículo. "Se vocês não a conhecem, são analfabetos", disparou.
Garantindo que o cinema brasileiro anda impotente, invocou o nome de colegas como Paulo Sacramento, que estava no palco como produtor-executivo do curta, além de ser diretor do documentário O Prisioneiro da Grade de Ferro, em competição no festival.
Ramalho ainda citou Cláudio Assis (de Amarelo Manga) e o próprio Mojica Marins. E arrematou com esta imodesta chave de ouro: "Nós somos o Viagra do cinema nacional".
A platéia veio abaixo com alguns aplausos e muitas e sonoras vaias. Quem ficou na sala de exibição até o final viu que o filme era para pouquíssimos gostos.
Com roteiro assinado pelo próprio Ramalho e por Pai Alex, umbandista do Pavilhão 8 do extinto presídio Carandiru, o filme mergulha na obsessão de um homem velho (Everaldo Pontes) por uma mulher envolvida com magia negra (Débora Muniz).
Quando ela ameaça abandoná-lo se não matar sua velha mãe (Vera Barreto Leite) para ficar com ela, o homem resolve executar o assassinato.
Satã em pessoa entra no corpo da mulher e cenas sangrentas e sobrenaturais dão o desfecho, que muita gente não viu, já que boa parte do cinema esvaziou-se bem antes do final do curta-metragem.
|