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| Cena do filme de Moacyr Góes |
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Depois da apresentação polêmica do diretor paulista Dennison Ramalho, que abusou dos palavrões e chocou a platéia no Festival de Gramado, coube ao diretor Moacyr Góes, autor de Dom, a tarefa de esbanjar simpatia.
Gentilíssimo, Góes disse apenas: "Torço para que vocês se divirtam com o filme".
Produção cuidada, com elenco global, o longa de Góes enveredou por uma linha bem mais fashion para adaptar livremente Dom Casmurro, de Machado de Assis.
Ambientado em escritórios e apartamentos de alta classe entre São Paulo e o Rio de Janeiro, o enredo atualiza para os dias de hoje o triângulo, que aqui é formado por Ana (Maria Fernanda Cândido), Bento (Marcos Palmeira) e o amigo Miguel (Bruno Garcia).
O filme caminha com mais ritmo na primeira parte, já que a apresentação dos personagens ainda é temperada com humor, mantido especialmente pelas intervenções saborosas de Daniela (Luciana Braga), assistente de Miguel numa produtora.
O longa começa a desandar quando o roteiro falha em estabelecer de maneira convincente a sua espinha dorsal, o ciúme do engenheiro Bento, obcecado pela idéia que a mulher, a atriz Ana, tem um caso com seu melhor amigo, o diretor de cinema Miguel, e que este pode ser o pai do filho dela, Joaquim.
A platéia riu inúmeras vezes também nesta parte dramática - como quando Bento diz ter ficado angustiado por sua felicidade (com Ana) ter "custado as lágrimas de outra pessoa" (a ex-noiva, Heloísa, vivida pela atriz Malu Galli). Quando ele anuncia que fará um exame de DNA para saber se Joaquim é ou não seu filho, o Palácio dos Festivais se esbaldou às gargalhadas.
Mas toda a ambig idade que sustenta o grande romance de Machado de Assis foi, como se poderia esperar, completamente perdida.
Ainda assim, a platéia aplaudiu educadamente no final, talvez embalada pela inegável bela figura de seu trio de protagonistas, nenhum deles presente à apresentação. Maria Fernanda é esperada nesta quarta-feira e Marcos Palmeira, na quinta.
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