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O cinema argentino comprovou mais uma vez sua ótima forma com Lugares Comunes, o segundo competidor da seção latina apresentado na terça-feira no Festival de Gramado. O filme é dirigido por Adolfo Aristarain, que já venceu o Kikito de melhor filme latino em 1993 com Um Lugar no Mundo.
Consagrado com duas longas séries de aplausos, o filme argentino traz um tema muito sensível para os brasileiros: o sentimento de deslocamento de boa parte da população mais velha, que se sente expulsa do próprio país pelo desemprego e a falta de perspectivas.
E isso é apenas o ponto de partida para o professor universitário Fernando Robles (Federico Luppi). Aposentado contra a vontade e confrontado com a perspectiva de uma drástica queda em seus rendimentos num país onde a economia mingua a olhos vistos, o velho professor viaja com a mulher, a assistente social Liliana (Mercedes Sampietro) para a Espanha, onde vive seu filho Pedro (Carlos Santamaría).
Fernando é um homem que insiste em se manter lúcido, haja o que houver. Ele não procura e não alimenta ilusões e acredita nesta percepção da vida como algo tão banal e sem sentido que não pode ser vivida como uma tragédia.
O par formado por Fernando e Liliana é, aliás, um dos mais bem-acabados exemplos de um romantismo lúcido que já se viram no cinema - comparável ao velho casal vivido por Hector Alterio e Norma Aleandro em O Filho da Noiva.
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