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| Ricardo Elias durante as filmagens |
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Depois de ser amplamente premiado em Gramado, De Passagem se prepara para ganhar o mundo. O filme dirigido por Ricardo Elias está sendo avaliado pela Miramax Internacional, que avalia a possibilidade de levá-lo às telas de outros países também.
Por enquanto, não há previsão de quando ele chegará ao cinema nem mesmo no Brasil. "Acabamos de montar o filme dez dias antes de começar o Festival de Gramado, agora que vamos começar a correr atrás disso", disse o diretor. Por enquanto, a única exibição planejada é na mostra latino-americana do Festival de Montreal, que começa no próximo dia 27.
Para Ricardo Elias, a emoção de ganhar cinco kikitos em Gramado - Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante (para Fábio Nepô), Melhor Roteiro e Prêmio da Crítica - foi muito grande, principalmente pelo fato de este ter sido seu primeiro longa-metragem. "Já tinha participado de outras edições de Gramado e de outros festivais, mas desta vez a responsabilidade é maior, por ser um longa. Até esperava ganhar melhor filme ou melhor direção, mas nunca imaginei ganhar os dois", festeja.
O filme conta a história de três jovens da periferia e tem a amizade como tema central. Jeferson (Sílvio Guindane) e Washington são irmãos e amigos de Kennedy (Fábio Nepô) desde pequenos. Os três moram na periferia e juntos têm a primeira experiência com o tráfico. Depois de cumprirem sua "missão", Jeferson se muda para o Rio de Janeiro, para estudar no Colégio Militar, enquanto seu amigo e seu irmão decidem entrar de vez no tráfico. Ao saber que Washington morreu, Jeferson volta para São Paulo e se une a Kennedy para procurar o corpo.
Na aventura da busca, os dois lembram fatos do passado e aprendem a importância das amizades rodando a cidade de ônibus, metrô e mas especialmente de trem - 60% das cenas foram feitas dentro de vagões, com apoio da CPTM. O filme foi feito com o prêmio de um concurso do governo federal para filmes de baixo orçamento (até R$ 1 milhão), em que o roteiro de Ricardo Elias e Cláudio Yosida foram os ganhadores.
O objetivo de Ricardo Elias, neste filme, é mostrar a periferia sem associá-la diretamente à marginalidade e à violência. "O objetivo do filme é mudar os preconceitos. O Jeferson, que tinha mais preconceitos contra o lugar onde cresceu, vai modificando isso enquanto vai com o amigo buscar o corpo de seu irmão", conta o diretor.
A idéia de fazer este filme surgiu quando o autor dirigiu um projeto da TV Cultura que tinha como objetivo mostrar as boas coisas que eram feitas nas escolas públicas de São Paulo. "Quando a gente chegava para gravar e não era porque tinha acontecido um crime, as pessoas ficavam impressionadas. A auto-estima dos alunos aumentava quando eles percebiam que estávamos ali para mostrar o que eles faziam para acabar com as pichações nas escolas, para ajudar as grávidas e outras iniciativas positivas."
Ricardo Elias, 34 anos, ainda não sabe muito o que acontecerá com o filme daqui para frente. Mas com a ampla premiação, torce para que os próximos projetos saiam com mais facilidade. "Estou pensando em mais um longa, espero que estes prêmios ajudem o próximo filme."
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