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Cinema e DVD
Segunda, 14 de janeiro de 2008, 15h10 
Will Smith vive drama do último homem na Terra em filme
 
Alexsandra Bentemuller
Direto do Rio de Janeiro
 
Divulgação
Will Smith e a cadela Abbey em cena de 'Eu Sou a Lenda'
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Eu Sou a Lenda (I Am Legend, Estados Unidos, 2007), que estréia nesta sexta-feira no País, é a terceira adaptação do romance homônimo de Richard Matheson publicado em 1954, e tem a direção de Francis Lawrence (Constantine). O filme já acumulou US$ 400 milhões em menos de quatro semanas de exibição nos Estados Unidos.

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Will Smith, 39 anos, duas vezes indicado ao Oscar de melhor ator (Ali, 2001, e À Procura da Felicidade, 2006), vive o virologista militar Robert Neville, único sobrevivente ao vírus KV fabricado pelo homem e que transforma as pessoas em famintos e furiosos zumbis-vampiros que matam sem razão.

O vírus, modificado inicialmente para o tratamento do câncer (Emma Thompson aparece como agente da catástrofe) aniquilou aparentemente toda a vida humana no planeta em decorrência da infecção e provocou severas mutações nos poucos sobreviventes.

Herdados da história original de Matheson e mantidos no filme pelos roteiristas Akiva Goldsman e Mark Protosevich, esses humanóides vampiros foram elaborados com a tecnologia "motion-capture" (que captura movimento de pessoas reais), a mesma utilizada nas seqüências de Matrix e Homem-Aranha. O resultado desaponta. Mais parecem monstros originários do videogame Resident Evil.

Eu Sou a Lenda começa em 2012 com Robert Neville como o último sobrevivente na Terra dirigindo um Mustang vermelho em alta velocidade pelas ruas desertas de Manhattan. Ao seu lado, está a fiel fêmea de pastor alemão Sam. Na seqüência seguinte, Neville caça antílopes numa Times Square coberta de mato, disputando-os com leões.

Lawrence e seu time de profissionais de efeitos especiais conseguiram incrivelmente despovoar Nova York. "Quis um resultado realista ao filmar nas ruas de Nova York. Bloqueamos as ruas e paramos todo o tráfego por dias. Os nova-iorquinos não ficaram tão felizes, mas todos colaboraram", disse o diretor.

O dia-a-dia na vida do cientista é metódico e solitário. Toda Manhattan é sua casa, onde regularmente pratica exercícios, perambula nos apartamentos abandonados atrás de comida e armamento e, com um poderoso rifle na mão, captura os "infectados" para experimentações com seu próprio sangue que visam reverter os efeitos do vírus.

Antes do pôr-do-sol e até o amanhecer, Neville se esconde entre portas e janelas de metal da sua residência-fortaleza em Washington Square com memórias, vídeos e fotografias que nada lembram a dissipada civilização. Imune, por uma razão inexplicável, ele é a única esperança de vida da humanidade.

Sua sala de estar é decorada com obras de artes valiosas que confiscou do MoMA e do Metropolitan, entre elas The Dream, de Henri Rousseau, e Starry Night, Van Gogh. Mapas de Nova York estão colados nas paredes com informações das rodovias e linhas de metrôs bloqueadas. Sua foto estampada na capa da revista Time aparece afixada na porta do refrigerador com o informe: "salvador, soldado e cientista". Sua missão: sobreviver.

Os "infectados" escondem-se nas sombras, observando cada movimento do cientista e esperando por uma falha que pode ser fatal. Como os vampiros, esses mutantes reagem ao cheiro de sangue e aos raios do sol. Uma das cenas de maior suspense é a busca descontrolada de Neville ao seu cão na escuridão de um depósito. O animal é imune ao vírus apenas pelo ar, não ao contato com a criatura infectada.

Por três anos, Robert Neville envia mensagem aflita de rádio em busca de possíveis sobreviventes: "... posso oferecer comida, abrigo e segurança. Por favor, me encontre no South Street Seaport ao meio-dia, quando o sol está no ponto alto do céu". O que ele não sabe até então é que não está sozinho. A jovem Anna, personagem da brasileira Alice Braga (Cidade de Deus e Cidade Baixa), e o garoto Ethan (Charlie Tahan) aparecem repentinamente e o salvam de uma armadilha preparada pelos infectados.

Além de explorar aspectos da existência humana, Eu Sou a Lenda mostra o que faz de Will Smith um astro do cinema. Com uma interpretação excepcional, Smith indica como é difícil lidar com a solidão e o que três anos isolado fariam à mente humana. Ele transmite todo o desespero de seu personagem pelo comportamento e expressões faciais.

Por meio de flashbacks, o espectador entende como Neville acaba sozinho, sem a mulher Zoe (Salli Richardson) a filha Marley, representada por Willow Smith, 7 anos, que estréia como atriz ao lado do pai. O cientista sabe que é o responsável pela tragédia que aconteceu com sua família.

Em muitas circunstâncias, o filme lembra a sobrevivência de Tom Hanks em Náufrago (Cast Away) ao transformar uma bola de vôlei no amigo imaginário Wilson. Smith aparece absolutamente só em cena durante mais de uma hora. Neville dialoga com o cão e manequins de uma loja de departamento como se fossem humanos. Apropria-se de todos os DVDs que deseja para ouvir vozes humanas e fingir que não está sozinho.

Eu Sou a Lenda não é somente um filme de um único homem na Terra, mas sim, de um único ator. Em outras palavras: é de Will Smith, do início ao fim.
 

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