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Cinema e DVD
Quarta, 20 de fevereiro de 2008, 09h51 
Ações terroristas do PCC serão revividas em filme
 
Ricardo Calazans
 
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Daqui a alguns meses, São Paulo vai reviver os três piores dias de sua história recente. O cineasta Sérgio Rezende (de Zuzu Angel) filma em junho Salve Geral - O Dia Em Que São Paulo Parou, sua visão dos ataques orquestrados pela facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) no fim de semana do Dia das Mães de 2006, que chocaram o País inteiro.

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Em meio a um inferno de ônibus incendiados, ataques a bancos, metrô e residências, que provocaram um saldo de pelo menos 152 mortos, o cineasta vai colocar uma atônita mãe de família. "A protagonista será a Andréa Beltrão. Ela é uma mulher que vê o filho de 17 anos ir preso e passa a conviver com um mundo do qual nada sabia", conta Rezende.

Atualmente em fase de pré-produção, Salve Geral faz, no título, referência aos comunicados da facção, como o que decretou a morte de policiais e agentes penitenciários em 2006 - é para os acontecimentos desta data que o longa de Sérgio Rezende se encaminha. Com orçamento de R$ 6,8 milhões, o filme será distribuído pela Columbia. "Fomos aprovados no edital do BNDES e a Globo Filmes deve entrar no projeto", explica o diretor.

O filme será rodado no pólo cinematográfico de Paulínea, no interior de São Paulo e terá cenas com três mil figurantes. Na capital paulista serão feitas tomadas "essenciais", como a de uma assustadora Avenida Paulista completamente deserta. Imagens dos noticiários televisivos da época vão garantir um tom documental.

Rezende, porém, não quer fazer filme sobre o crime organizado. "Esse episódio do PCC levanta uma discussão sobre os limites da lei no Brasil", avalia.

"É certo que a grande maioria dos presos em penitenciárias infringiu a lei, mas o Estado, ao colocá-los sob sua tutela, também infringe a lei cotidianamente. O Estado não provê e abandona essas pessoas nos presídios. Esse caldo um dia ferve, como aconteceu em 2006", reflete o diretor, que acha o momento ideal para esse tipo de discussão, ainda mais depois da vitória de Tropa de Elite no Festival de Berlim.

Ele acredita que, goste-se ou não de Tropa, o filme cumpriu seu papel social. "O cinema nacional mobilizou a sociedade para uma discussão muito oportuna sobre segurança pública. É espetacular um filme ter esse poder de mobilização", elogia.
 

O Dia

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