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Cinema e DVD
Segunda, 28 de abril de 2008, 09h54  Atualizada às 09h52
Uma Thurman e Evan Rachel Wood dividem personagem em longa
 
Stephen Holden
 
Divulgação
Uma Thurman protagoniza o filme dirigido por Vadim Perelman
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The Life Before Her Eyes propõe um irritante jogo de esconde-esconde narrativo, retomando constantemente seus passos a fim de revisitar o trauma do qual tudo mais principia. Cada flashback repentino revela um pouquinho mais sobre um confronto de vida ou more entre duas grandes amigas e um atirador adolescente alucinado, no banheiro feminino de uma escola de segundo grau durante um massacre ao estilo Columbine.

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As amigas, Diana (Evan Rachel Wood) e Maureen (Eva Amurri), são pólos opostos. Diana, rebelde e sensual, é a bad girl, e Maureen, devota e comportada, é a boazinha. Se o filme de Vadim Perelman não torna a história muito crível é em parte porque mantém os espectadores deliberadamente a par de sua meticulosa estrutura e motivos dominantes: água, flores em botão, relâmpagos e trovões em cada momento dramático.

Uma das vítimas do massacre, o Sr. McLeod (Jack Gilpin) é o professor de biologia que ensina aos alunos que o corpo é feito 72% de água. O filme mostra a água jorrando de um cano no banheiro feminino depois que o atirador abre fogo a esmo, e uma das cenas de amor entre Wood e um menino mal vestido vindo da parte pobre da cidade acontece em uma piscina. Há referências a Paul Gauguin, discutido em uma das aulas da Diana adulta (Uma Thurman), no presente.

No final do filme, o marido de Diana, Paul (Brett Cullen), professor de filosofia, dá uma pretensiosa aula sobre a consciência. O filme já havia sinalizado de inúmeras maneiras que Diana, 15 anos depois do massacre, continua a se sentir horrivelmente culpada por ele. Um dia antes do ataque, o assassino a havia informado de suas intenções, mas ela achou que ele estava brincando e não contou a ninguém. E, de qualquer forma, odiava a escola tanto quanto ele.

Evan Rachel Wood e Uma Thurman são uma combinação razoável para a mesma mulher loira e escultural, aos 17 e 32 anos. Adolescente rebelde e perturbada é papel que Evan Rachel já interpretou mais de uma vez, e ela exibe de novo sua graça e leveza. Em seus olhos, podemos vislumbrar a impaciência desesperada e irresponsável de uma menina naquele precário estágio de desenvolvimento no qual a mente ainda não consegue acompanhar o corpo e a personalidade está apenas meio formada.

No papel de Diana adulta, bem mais ingrato, Thurman caminha com uma expressão tensa no rosto, como uma pessoa que se esconde de si mesma. Mãe de Emma (Gabrielle Brennan), uma menina de oito anos que herdou seu lado travesso, Diana tem medo de tudo. Emma desenvolveu o costume de fugir o tempo todo de sua escola católica. A mãe é chamada pela diretora para ser informada de que o comportamento da menina é inaceitável.

Ordeiro, previsível, detalhista e desprovido de qualquer traço de humor, The Life Before Her Eyes contradiz a alegação do diretor, em suas notas sobre o filme, de que a produção ¿não é uma experiência perfeitamente ordenada com causa e efeito claros¿. Em seu decoroso percurso, a sensação é de que estamos lendo um ensaio poético no qual cada trecho e peça estão encaixados com precisão excessiva.

O filme tem o mesmo estilo moroso e excessivamente esquemático de A Casa de Areia e Névoa, que Perelman dirigiu em 2003 na sua estréia como cineasta. Aquele filme, adaptado de um romance de Andre Dubus, transcendia suas pretensões porque a história convencia mais, e porque o desempenho de Ben Kingsley no papel central era excepcional.

Em The Life Before Her Eyes, o confronto entre meninas e assassino culmina com a exigência, por ele, de que elas façam uma escolha impossível. O desfecho é ocultado até o final. Caso as pistas cuidadosamente plantadas não bastem para que adivinhe o segredo, o espectador pode ser sentir atraiçoado.

Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME
 

The New York Times
 
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