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Quando o caminhão da Mostra Brasil Candango Cinema Itinerante chega, as ruas de terra dão espaço à fantasia das crianças. Com os pés no chão desnivelado, elas correm atrás do veículo felizes de saber que vão ter cinema por aqueles dias, numa das regiões mais pobres do Distrito Federal.
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"É tanta alegria deles em ver o filme. É uma diversão para as crianças", narrou Maria Auxiliadora do Nascimento, empregada doméstica que mora na Estrutural. Ela levou os filhos na noite de ontem para assistir aos filmes brasileiros O casamento de Louise e A Enciclopédia do Instituto.
O projeto, idealizado pelo Instituto Latinoamerica, tem patrocínio da Telefônica, da Petrobrás e apoio do Ministério da Cultura.
Onde mora não há salas de exibição e Maria Auxiliadora disse que não consegue ir ao cinema, porque o preço do ingresso custa em média R$ 16 nos fins de semana. Fora os R$ 3 de passagem, por pessoa, até a rodoviária de Brasília.
"As condições são poucas, por que é caro. Prefiro comprar um DVD e ver em casa. Para ir com marido e com as crianças, só a passagem já não dá", justificou.
A empregada doméstica Maria Auxiliadora fala que busca sempre atividades culturais gratuitas oferecidas em Brasília. "Eu e meu marido, a gente sai muito. Vai para a Esplanada dos Ministérios, para o Parque da Cidade. Inventa muita coisa para curtir e não ficar só na favela", explicou.
Antônio Abílio Ângelo é pedreiro e foi levar os três filhos pela primeira vez à mostra itinerante ontem. Fã de filmes de aventura, Abílio Ângelo confirmou a dificuldade de ir ao cinema devido ao preço da entrada e do transporte público.
"É difícil, porque tenho de levar a família toda. Só quando tem uma oportunidade como essa que assitimos a filmes no cinema", acrescentou.
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